A irremediável barbeiragem de Abel

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghetti-colunistaO que justificaria Alex no banco de reservas no jogo mais importante do Inter nesta temporada? Nada. E, pior, a passividade dos dirigentes colorados diante da barbeiragem de Abel Braga. O treinador desmontou o time diante do líder do Campeonato. Quando corrigiu, no intervalo, mostrou que havia possibilidade de um jogo de iguais. E não deve ter sofrido qualquer tipo de pressão por este erro irremediável. Abel errou. Os dirigentes omitiram-se!

O caso é tão grave que, mesmo quatro dias depois, merece esta análise.  Ao repor a ausência de Sasha, Abel desconstruiu o time do Inter, em ascensão no Campeonato nestes últimos jogos. Colocou Valdívia e deveria ter encerrado aqui a mudança. Mas inventou. Colocou mais um volante e retirou do time um dos melhores jogadores do grupo nesta temporada. Com isso, mexeu também no posicionamento de Aranguiz. Uma patacoada e tanto!

Quando corrigiu, recolocando Alex no lugar de um dos volantes, o Inter equilibrou forças. Encarou o poderoso Cruzeiro em condições de igualdade. Mas a diferença de dois gols no primeiro tempo, diante de um time tão qualificado, ficou inviável de ser desmanchada. O título escorregou naquele momento. Na decisão de Abel de desmanchar o que ele mesmo construiu este ano: um time ofensivo, com posse de bola.  Alex foi para o banco! Nem Marcelo Oliveira esperava um presente tão especial naquele dia!

Tão desconfortante quanto o erro do treinador é a ausência de cobranças, situação normal na maioria dos clubes brasileiros.  Hoje, técnicos de futebol assinam contratos milionários. Trabalham quatro ou cinco meses no ano e já embolsam quase 2 milhões de reais. E raramente são cobrados por suas decisões e barbeiragens. A liberdade que lhes é concedida é consequência de um amadorismo diretivo que impera nos clubes. Em quase todos. No Inter, no Grêmio, Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Fluminense, Vasco e por aí vai.

Não cometo exageros para avaliar o trabalho de Abel no Inter. E nem desconsidero a trajetória vencedora, do passado. Mas quando ele erra deve ser criticado. E deveria também reconhecer o erro. Mais do que isso? Precisa ser cobrado pela Direção do clube. Mas esta relação paternalista, que muitas vezes envolve amizade amadora e pouco profissionalismo, não permite isso. Há um ambiente de ação entre amigos entre os dirigentes de futebol do Brasil e os treinadores. Com o salário que recebem devem dar explicação. Justificar decisões que tomam. Reconhecer barbeiragens. E receber os méritos quando acertam. Pior quando vem algum dirigente com o famoso discurso de que “aqui se trabalha muito”, como se isso não fosse o mínimo, a obrigação diária. Como se trabalhar muito fosse algo extra entregue pelo treinador!

Esta relação amadora esta dirigente-treinador! Abel deveria explicar e reconhecer o equívoco, num momento tão fundamental. Mostraria sua grandeza e a capacidade de corrigir equívocos. Caso contrário vamos desconfiar de que faria tudo de novo, fazendo do time uma caricatura do que foi construído ao longo da temporada. Ou será que ele não viu o tamanho do estrago que fez?

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre


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