É hora de cobrar resultados, presidente!

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghetti-colunistaSe é verdade que o Internacional não desvalorizou a Copa do Brasil e a Sul-Americana para priorizar o Brasileiro, como reiteram os dirigentes do clube, então há muito a ser feito no Beira-Rio. É inaceitável que um time com esta qualidade seja eliminado por Ceará e Bahia, figurantes de segunda linha no cenário nacional. Se a realidade for esta então sugiro que o presidente Giovanni Luigi saia de seu gabinete, dê meia volta no estádio, entre no vestiário, e arrume a casa. É hora de acabar com esta ação entre amigos. É hora de cobrança!

Mas o silêncio do presidente, depois da constrangedora derrota para o Figueirense, no último domingo, não me sugere que isso possa acontecer. Quando a torcida o criticava asperamente, numa manifestação contundente e significativa, Luigi não deu a cara. Deixou que o vice de futebol, sequer lembrado pelos torcedores, desse as explicações. Aquele era o momento que exigia a palavra do líder. Luigi não enxergou o tamanho da encrenca. E preferiu o silêncio. Um equivocado silêncio, que talvez fale muito sobre o momento do clube. Manifestou-se na segunda-feira, com sua serenidade habitual.

Era necessária a manifestação do presidente, embora ele pouco tenha dito sobre soluções para reverter o momento atual. Há a impressão de que o Inter se contenta em apenas ser melhor que o rival. Os resultados desta gestão reafirmam isso. Nestes últimos quatro anos, o Inter reduziu seu horizonte. Limitou-se à supremacia sobre o Grêmio. Ganha clássicos, triunfa no regional. E só. O clube multi-campeão, que intimidava adversários no País e no continente, está representado nas taças de gestões antecessoras. Por ora, o limite é o Gauchão.

 

Cabo eleitoral

Não é preciso raciocinar mais de meio segundo para que se perceba que, se confirmada, a presença de Fábio Koff como o homem do futebol tem o intuito político de empurrar a candidatura de Romildo Bolzan Júnior, conhecido político e iniciante do ponto de vista esportivo. Apenas com o nome de Romildo as chances de vitória seriam drasticamente reduzidas. O movimento precisa desta associação com o maior nome da história política gremista.

Basta lembrar que, na eleição passada, o departamento de futebol de Koff só foi anunciado em novembro, dois meses depois da eleição. Desta vez, a chapa situacionista anuncia o nome do comandante um mês antes do pleito. Ou seja, sabe que o nome tem muito mais apelo junto ao torcedor do que o candidato a presidente. Portanto, antes de ser vice de futebol, Fábio Koff é o cabo eleitoral do candidato Bolzan Júnior. Se eleito, quanto tempo ficará no cargo, que às vezes é mais desgastante que a presidência, ninguém sabe. O objetivo, primeiro, é garantir a eleição da chapa.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

Loading...
Revisa el siguiente artículo