Corrupção lavada a jato

Por Carolina Santos

colunista  jose-luiz-datenaÉ com muito prazer, orgulho e carinho que, depois de um pequeno descanso, volto a juntar palavras neste importante espaço da imprensa nacional que é o Metro. Onde já estou há algum tempo, com a licença dos seus leitores, democraticamente concordando ou não com as minhas opiniões.

Falando nisso é sempre bom voltar, afinal amamos nosso país e sempre esperamos que um dia ele seja de fato mais justo, desde uma divisão de renda que não faça só com que a maioria viva na miséria até leis mais justas que coloquem na cadeia bandidos de toda espécie. Principalmente os de colarinho branco que são, em grande parte, os responsáveis pelo roubo do dinheiro público e a nossa consequente miséria social.

Semana retrasada, quando estava na Espanha, vi dois dos principais dirigentes do PP (partido político que é base do governo) irem para a cadeia por corrupção. Além deles, outros tantos e inclusive a filha do ex-rei Juan Carlos (Cristina de Bourbon), metida numa série de falcatruas, que corre o risco de cair também nas garras da Justiça espanhola.

Sempre reclamei disso no Brasil. Há coisa de um mês atrás, comentei que seis das principais empreiteiras do Brasil estavam envolvidas em suspeitas de suborno no escândalo da Petrobras, e reclamei do por que ninguém, ainda, havia pagado por isso. Pois bem, sexta-feira amanheci de alma lavada pelas decisões do juiz Sérgio Moro e pelas ações da Polícia Federal, mandando às grades desde tubarões ao médio clero dessas empresas que, não de hoje, andam misturadas com a lama podre da política nacional.

Fora isso, o Duque da Petrobras, colocado lá pelo Zé Dirceu, não escapou da “cana”. A princípio fecha-se o quadro. Punir somente o político corrupto ou funcionário desonesto não é o suficiente, importante acima de tudo é punir também quem corrompe.

Pois é, nesse país quase sempre o corruptor, aquele que financia a ladroagem, passa despercebido e, geralmente, sai impune.

A sequência da operação Lava Jato quer corrigir isso, mas ainda é cedo: já houveram outras operações em que a Justiça brasileira e a Polícia Federal tentaram colocar na rede esses tubarões do crime e esbarraram na proteção de outro tipo de predador, geralmente político sem-vergonha de alto escalão.

A presidente Dilma disse que ia fazer e fez. Mesmo cortando da própria carne e enfrentando gente do seu partido e da base aliada. É dela também a ideia de que as doações para campanhas políticas não devam ser de pessoas jurídicas, empresa que financia eleição quer benefício de volta, num jogo sujo de poder. Isso tem que acabar. Doação tem de ser transparente, de pessoa física e declarada na Receita Federal.

E ainda está por vir a próxima fase de lavar a jato os políticos que provavelmente  se sujaram nesse mesmo lamaçal, e aí a coisa pega. Vamos esperar.

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