Felicidade

colunista  jose-luiz-datenaNeste domingo acordei preocupado com o que aconteceu durante a semana com meu amigo Muricy, técnico do São Paulo. Quando ia visitá-lo no hospital, recebi a boa notícia de que ele já tinha tido alta. O coração desse velho amigo já está batendo direitinho de novo, talvez até por isso a gente começa a pensar no nosso real prazo de validade: quanta coisa vivemos e o tempo que nos resta pela frente.

Pois é, mas o tempo não tem moeda de troca. O minuto que você perdeu, o passo que você deixou de dar, o sorriso que você não sorriu, o abraço que você não abraçou e um amor que você não viveu intensamente não voltam mais. Por isso peguei minha netinha, a Rafaela, e fui até a uma fazendinha dentro de um shopping na rodovia Castello Branco. Foi tão legal que a alegria dela se confundiu com a minha. Os meus cinquenta e sete anos pareceram não significar mais que uma fração de segundo.

Com ela eu imitei a vaquinha (muuuu) e a ovelhinha (béhééé). Foi uma festa ver aquele bicho esquisito, mistura de bode com camelo, que se chama lhama. Tinha pavão com cauda aberta, colorido como um arco-íris depois e uma chuva de verão. Tinha pato e ganso, que novamente me lembraram do Muricy. O galo da Polônia parecia ter saído do cabeleireiro, com um penteado mais doido que o do Neymar.

Opa, desculpe! Parei de escrever um pouco porque recebi a visita de um cunhado (o Genésio) que eu não via há uns dez anos, um baita cara legal. Aí me perguntei: como é possível a gente ficar tanto tempo sem ver quem a gente gosta? Aproveitei e dei um abraço no Betão, meu vizinho da direita, que é outro cara extraordinário, nem parece vizinho.

Mas, voltando à bicharada, a felicidade infantil da minha netinha me encheu também de felicidade. Foi um fim de semana memorável, com meus filhos, noras, minha esposa que amo tanto e a minha sogra, dona Alzira.

Cocei a cabeça, concordei totalmente com um desses grandes pensadores: “A vida é mesmo feita de pequenos prazeres”. Quem disse isso? Charles Baudelaire, mas podia muito bem ter sido o Tonico do Boteco, do Jardim de Napoli, afinal para ser filósofo na vida basta fazer do pouco o bastante, basta ser feliz.

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