Além das quatro linhas

Por Tercio Braga

jose-luiz-datenaNão posso e nem quero acreditar de forma definitiva que quem invadiu o CT do Corinthians, na manhã desse sábado, foi torcedor. Quase cem pessoas armadas com paus, pedaços de bambu e até facas aterrorizaram de jogadores a funcionários. Pablo Guerrero, o peruano que marcou o título do campeonato mundial no Japão, foi agredido e esganado por vândalos. Sim, vândalo é o mínimo que cabe para denominar gente violenta como essa.

O Corinthians está mal? Não precisa ser nenhum gênio da bola para ver que sim, os resultados provam isso. Mas daí estes criminosos invadirem o local de trabalho do técnico e jogadores é uma ação  que supera todos os limites, inclusive o da lei.

No dia seguinte vemos diretores aparentemente espantados com tamanha selvageria. Alguns deles que até outro dia, e talvez até agora, andaram de mãos dadas com alguns elementos perigosos de torcida organizada, numa ligação explícita de interesse político.

Há muito tempo que o Ministério Público e a polícia investigam a infiltração do crime organizado em meio de torcida organizada. O curioso é que essas investigações não chegam a lugar nenhum.

Não quer dizer que toda organizada é bandida, pelo contrário: tem gente boa e interessada em torcer pelo bem do clube, mas que essas ligações obscuras de elementos infiltrados têm de ser esclarecidas, é óbvio que têm.

Senão, é claro, cenas lamentáveis como essas de sábado, que vão além do mundo do futebol, podem chegar a um desfecho trágico e até mesmo fatal. Basta lembrar o caso do zagueiro Escobar, que marcou um gol contra na Copa do Mundo, e foi morto, provavelmente, por traficantes colombianos.

Quer dizer, está mais do que na hora de dar um tempo para esse tipo de ação. Só reforçando que daqui a quatro meses o Brasil, em clima de protesto, e por isso tenso, disputa uma Copa do Mundo. E se perder? Será permitido que técnico e jogadores sejam hostilizados e até mesmo agredidos?

Futebol é paixão, nada mais do que isso. Sem essa de pátria de chuteiras e nem cobranças além do que vaias no estádio. Tudo o que não seja isso me cheira, além de violência, a crime. Aliás é difícil saber até onde esses bandidos estão infiltrados na sociedade brasileira, não apenas no futebol, mas muito além das quatro linhas.

O Corinthians e sua gloriosa torcida merecem respeito e não esse tipo de ação que, acredito eu, seja isolada.


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