Disparada

Por Carolina Santos

jose-luiz-datenaO senador Cássio Cunha Lima, nobre parlamentar brasileiro, resolve homenagear seu pai. Gesto bonito. Escolhe um famoso restaurante do Rio de Janeiro e, rodeado de amigos, leva seu genitor para um banquete digno dos deuses. A conta de quase R$ 8 mil justifica tanto amor e carinho porque, afinal, pai é pai.

Certo? Claro que não. Completamente errado.

Porque quem pagou a conta fomos nós, eu, você e uma grande maioria de brasileiros que às vezes nem arroz e feijão tem na mesa. A conta do jantar do papai do senador foi apresentada na maior cara de pau para o senado, em Brasília.

Por essas e por outras que não se admite, por exemplo, atitudes agressivas por parte desses parlamentares que só falam em ouvir a voz das ruas, mas o que fazem mesmo é olhar cada vez menos para o povo. E quando olham é para aumentar imposto, como o tal famigerado IPTU.

Enquanto faltam hospitais, médicos, saneamento básico, educação em forma de salas de aula e professores bem pagos, os caras têm o descaramento de pegar jatinhos do governo para assistir jogos da Copa das Confederações, como fez o ministro da previdência, que acha que todo aposentado ganha o salário do Neymar.

Tanto o ministro voador quanto o senador comilão dão exemplos mais claros de improbidade com o dinheiro público. Algo bem próximo do imoral e injusto, inaceitável, perto dessa esmola que é o salário mínimo do trabalhador brasileiro.

Isso quando o imoral não vira ilegal, e políticos como o Don-ladrão vão para a cadeia por roubar os cofres do seu Estado e, mesmo assim, seus parceiros mantém o facínora com o cargo. É claro que a gente não concorda com alguns infiltrados, vândalos e violentos que se metem em protestos legítimos, como defender moradia e até a vida de cachorro que, aliás, não tem muita diferença da maioria das vidas das pessoas da periferia brasileira.

Para o depredador, a força da lei. Para o vândalo, a cadeia. Só que a justiça tem que ser a mesma para vândalos que, eleitos pelo povo, usam esse direito para roubar a nação brasileira.

Vivemos um momento difícil, no qual se fala cada vez mais em que algumas coisas legais devem ser cumpridas. Nem sempre o que é legal é justo e nem sempre o que é imposto, mesmo sendo legal, é democrático. É daí que vêm as ditaduras.

E não há nada pior do que um regime democrático que impõe cada vez mais medidas lesivas a um povo em sua maioria decente e ordeiro, disfarçando liberdade com aplicação pesada da lei enquanto da outra ponta há uma tolerância demasiada para alguns bandidos engravatados que usam e desusam  o dinheiro do povo.

É necessário que haja um equilíbrio senão a boiada estoura, e quem já viu estouro de boiada sabe bem o que é.

Disparada.

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