Intervenção urbana

Por Carolina Santos

joao-fariaDepois da “Cow Parade”, com vacas personalizadas espalhadas pela cidade, outras intervenções surgiram em São Paulo, como: rinocerontes estilizados, orelhões customizados e a mais recente delas intitulada como “Mônica Parade” – uma homenagem aos 50 anos da personagem criada por Mauricio de Sousa. Essas ações alteram a paisagem do paulistano e despertam a atenção do público. A francesa Catherine Duvignau, executiva da Toptrends, revela como as iniciativas voltadas para arte e divulgação das marcas interagem com a cidade.

 

Quais são os desafios de uma intervenção?

O maior desafio é a democratização da arte. Levar arte para as ruas aonde não é preciso ingressos, entrar em um museu ou em uma galeria. Atingir o maior público possível e de todas as idades. E também descobrir a cidade, muitas vezes as pessoas vão conhecer uma vaca da “Cow Parade” ou outra obra porque querem fazer o circuito completo e acabam conhecendo um bairro, um parque onde nunca estiveram.

 

Como evitar erros?

Quando se trata de uma exposição com várias obras é importante que o mapeamento do circuito seja muito bem pensado. A escolha dos locais estratégicos é fundamental. Distribuir poucas obras em toda a cidade não dá tanta visibilidade, é sempre melhor tentar concentrar.

 

Todas as intervenções têm uma finalidade cultural?

A surpresa causada quando um cidadão se depara no meio da rua com uma vaca ou uma cúpula de orelhão que, de repente, recebeu uma linda pintura, provoca, no mínimo, uma reflexão e vários questionamentos. Inevitavelmente estamos falando de cultura. Com a intervenção na cúpula de orelhão, resgatamos toda a história desses aparelhos. Quando Mauricio de Sousa autorizou 50 artistas a fazer uma releitura do seu personagem Mônica, as obras levaram nossa cultura e nossa história para as ruas da cidade.

 

A população aprova as ações?

Em várias cidades do mundo existem calendários de intervenções urbanas ao longo do ano. As cidades acabam sendo repletas de muitas intervenções e isso pode não causar sempre surpresas ou agradar tanto. No Brasil é bem diferente, a população que anda nas ruas das cidades é carente porque acontecem poucas intervenções urbanas. As exposições são sempre um enorme sucesso de público e se for lúdico, como é o caso das vacas ou das Mônicas, se multiplicam em milhões de fotos tiradas ao lado das esculturas e espalhadas nas redes sociais.

 

João Faria é jornalista e sócio-diretor da Agência Cidadã. João Faria escreve no Metro São Paulo

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