Não tem nada perdido

Por fabiosaraiva

helio-castronevesComo vocês puderam ver, a corrida de Milwaukee não foi muito boa para mim. O Will Power venceu com todos os méritos e ampliou a sua vantagem na liderança do campeonato. Do meu lado, mesmo chegando em 11º, consegui manter a vice-liderança, só que agora mais atrás. A diferença entre o Will e eu era de quatro pontos, mas depois de domingo passou a ser de 39. Esse é o quadro atual e, obviamente, não posso negar que a coisa ficou um pouco mais difícil. Mas quero deixar claro para vocês que não estou considerando essa batalha perdida. Muito pelo contrário, nada está perdido e as minhas chances continuam boas.

O que aconteceu em Milwaukee foi que o equilíbrio do carro não estava campeão. Larguei bem e consegui andar por algum tempo entre os quatro primeiros. Só que o comportamento mudava muito com o desgaste dos pneus e eu tive de fazer uma opção, principalmente na parte final. Precisei adotar uma tocada mais burocrática porque, caso contrário, a chance de um acidente era muito grande.

Aí o leitor pode se perguntar: não daria para fazer alguma coisa durante a corrida? A resposta é positiva. E de fato fizemos algumas alterações, mas aí entra uma característica do circuito de Milwaukee. Como é um oval curto e com tempo de volta na casa dos 22 segundos, qualquer coisinha pode fazer você perder voltas. Então, o negócio foi ficar por ali e marcar o maior número de pontos possíveis.

É verdade que só faltam duas corridas. Domingo agora tem a corrida no misto de Sonoma e seis dias depois, no sábado 30, acontece a grande final no oval de Fontana. Essas provas, juntas, colocam em jogo 154 pontos. Isso porque, assim como em Indianápolis e Pocono, a disputa será de 500 milhas e, portanto, pontuação dobrada.

Não há dúvidas de que o Will Power está bem na parada. É sempre mais confortável estar na liderança, mas os 39 pontos que ele tem de vantagem sobre mim não é tanto assim por causa do critério de pontuação. E tem mais. Depois de Milwaukee ainda restaram seis pilotos na busca pelo título. E o legal é que o Team Penske está inteiro nesse grupo, pois o Juan Pablo Montoya também é um dos candidatos. E tem também o Simon Pagenaud, o Ryan Hunter-Reay e o Scott Dixon.

Então, meus amigos, vou contar uma coisa para vocês. A final da Fórmula Indy deste ano vai ser um negócio de louco e não tenho outro pensamento na cabeça a não ser recuperar, em Sonoma, o espaço perdido em Milwaukee, e chegar em Fontana com todas as chances de ser campeão.

Não tem nada perdido, não. E vamos que vamos!

Helio Castroneves, 39, nasceu em São Paulo e foi criado em Ribeirão Preto. É o piloto brasileiro com mais vitórias na Indy, com 28conquistas, e venceu três edições da Indy 500 (2001, 2002 e 2009). Disputará em 2014 sua 17ª temporada na categoria e 15ª pelo Team Penske.  

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