A mudança que o brasileiro pediu

Por fabiosaraiva

colunistas-fernando-carreiro-novoJunho de 2013. Crianças, jovens, adultos, pais de família, estudantes, trabalhadores, desempregados… Milhões de brasileiros foram às ruas pleitear mudança: da condução administrativa do governo, dos representantes no Congresso, da forma de fazer política, de tudo que aí ainda hoje está. A eleição de 2014 será diferente, apostaram, à época, os analistas mais confiantes. É preciso atender ao chamado das ruas, vociferaram alguns mandatários em seus locupletantes discursos. Quinze meses depois, as ladainhas se repetem como mantra. Já era pedra de bingo de quermesse cantada. Até aqueles que foram às ruas desconfiavam de que, mais cedo ou menos cedo, tudo voltaria a ser como antes. O problema é que não houve mudança de rumo (nem de prumo). Os discursos de junho passado, os pronunciamentos na TV e na tribuna do Congresso Nacional escorreram como maquiagem de qualidade duvidosa. Nada surpreendente até aqui, não fosse o resultado da eleição de domingo. A surpresa não está na ida de Aécio Neves para o 2º turno – embora a virada tenha sido surpreendente. Aécio e Dilma representam dois partidos que já estiveram assento na Presidência da República por, respectivamente, 8 e 12 anos. Portanto, nada de novo. Não se faz aqui juízo de valor sobre a conduta de qualquer agremiação. O questionamento é sobre a posição daqueles que saíram às ruas para pedir o que não conseguem cumprir. Alguns dirão que aqueles manifestantes representam nada mais que uma gota no oceano do processo eleitoral; outros defenderão que há ausência de mudanças nos demais candidatos e por isso a opção de revisitar cartas antigas do baralho. Nada justifica. Mudar um móvel de lugar traz ar de renovo a uma casa, mas os problemas estruturais continuarão sendo os mesmos. Fica difícil acreditar que os movimentos de junho passado não tenham sido insuflados por movimentos sociais com viés político. Afinal, onde estavam o gigante e a voz rouca das ruas neste processo eleitoral? O brasileiro elegeu, nesta mesma toada de inconsequências, personagens de representatividade duvidosa: Jair Bolsonaro, Tiririca, Marco Feliciano e Celso Russomano, para citar apenas alguns. Honestamente, certas escolhas são inteligíveis, como o são manifestações que se dizem não ser por 20 centavos, e sim por mudanças, que, a se manter essa imaturidade eleitoral, estão muito longe de acontecer.

Fernando Carreiro é jornalista especializado em comunicação eleitoral e marketing político.

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