Coloquem freio neles!

Por fabiosaraiva

fernando-carreiro-colunistaEsta eleição parece estar sem limites. A boataria não tem fim. As inverdades são distribuídas na mesma medida que os santinhos. A vida pessoal dos candidatos, para quem a eleição parece uma jornada sem fim, nunca esteve tão escancarada como agora. Bom para nós, os eleitores, dirão os mais céticos, afinal, deve-se jogar luz sobre os malfeitos. E deve-se, tanto quanto o eleitor também merece conhecer as propostas, escassas como os programas de governo. A propósito: quando vão parar de escrever a lápis as propostas e apagá-las, para depois reescrevê-las ao sabor da conveniência? Alguém tem de por um freio nisso! Pior são os programas-fantasma de governo: alguns candidatos sequer tornaram públicas, no papel, suas intenções; medo da reação popular e das incoerências, para supor o mínimo. Em recente entrevista na TV, a candidata-presidente Dilma Rousseff tentou ludibriar apresentadores e telespectadores com inverídicos números sobre a economia, que, para ela, vai muito bem, obrigada. Foi desmentida por especialistas tão logo terminou a sabatina. O fim do Bolsa-Família e dos direitos trabalhistas, a privatização da Petrobras e a volta da fome e da miséria com a especulada independência do Banco Central também viraram verdade em um balaio de mentiras que parece não ter fim. Vale discutir os posicionamentos socialistas de Karl Marx ou as ações sectárias de Adolph Hitler, como fez a candidata Luciana Genro também em um programa de TV. Vale chorar, como fez Marina Silva ao reclamar as críticas de Lula. Aécio Neves adora comparações: diz que as candidatas Dilma e Marina são a mesma coisa; mas não admite ser associado ao governo privatista e elitista de seu colega de partido e ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Não têm tido fim as dezenas de denúncias de desvio de recursos de governos anteriores (e dos atuais); de imóveis não declarados, de compra de votos e bancadas inteiras. Tudo às claras a cada eleição. E sem resolução, em qualquer tempo. E a imprensa que se cale, porque para a presidente da República seu papel passa longe do servir ao público. O Jornalismo Investigativo – que revelou ao mundo as agruras do PT, mas também do PSDB, a seu tempo –, para ela, não deve passar de invenção mal-sucedida da direita brasileira. Afinal, neste país, tudo é culpa da oposição. É preciso por um freio nisto tudo. É preciso reescrever o Brasil, preferencialmente a caneta, sem chances de voltar atrás, porque o passado só cabe a quem não tem propostas para o futuro. E é isto que temos visto nesta eleição.

Fernando Carreiro é jornalista especializado em comunicação eleitoral e marketing político.

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