Biorana preta

Por fabiosaraiva

fernando-carreiro-colunistaPassados quase 30 dias da morte de Eduardo Campos, não há mais comoção para justificar o tamanho de Marina Silva nas pesquisas; a manutenção ou não do patamar em que se encontra, agora, é com ela e suas propostas. Tão crescentes quanto Marina nas pesquisas têm sido as tentativas de desmontar a candidatura daquela que, no passado, era tida como ambientalista ética e um dos melhores quadros do PT – hoje, seu maior algoz. Tudo bem que Marina não é mais a mesma e critica a “velha política” da qual já fez parte. Avassaladora, não se curva, mas não encontra respostas convincentes para as contestações de opositores. Por outro lado, seu discurso soa como música para os ouvidos de quem deseja mudança. Após comparar Marina a Fernando Collor e de se lembrar que este senador faz parte de sua base de apoio, a presidente Dilma tentou um “não-é-bem-isso”. Desdisse o dito e reforçou o discurso de que ela se referia “à ausência de apoios de Collor ao ser eleito presidente”, deposto após denúncias de corrupção e graças à falta de uma base sólida no Congresso – apoio que o PT, diga-se, conquistou à base de muito mensalão. Marina retrucou a comparação, mas não respondeu como vai governar sem apoio; apenas ressaltou que reunirá o que há de “melhor na política brasileira”, como se, facilmente, pudesse seduzir os partidos com o mesmo messianismo com que arrebata as massas. O eleitor, muitas vezes alheio a esses embates de cúpulas partidárias, quer praticidade e não tem a intenção de perder o voto. Entre escolher a mudança de Aécio Neves, com 15% das intenções, e a de Marina, com 34%, fica com a segunda opção. Brasileiro não vota em candidato que está perdendo, não diz torcer para time da segundona e não aposta em cavalo na lanterna da competição. E aí está a missão dos adversários da acriana, ex-empregada doméstica e até bem pouco tempo pobre (antes das palestras que lhe renderam R$ 1,6 milhão em três anos): desconstruir o discurso tido como vazio e efêmero da candidata sem alvejar sua imagem. Candidato que sobe nas pesquisas é como massa de pão: quanto mais se bate, mais ele cresce. E disso Marina entende bem. Quando a chamam de “fraquinha e magrinha”, ela replica em tom firme e forte. Em vídeo que circula na internet, Marina se compara à biorana preta, uma árvore da Amazônia que “não fica tão grossa, mas experimenta bater nela com um machado: sai faísca, mas ela não verga”.  Palavras de Marina, para quem a política tem um significado diferente do que aí está. Só não soube, ainda, traduzir muito bem o que isso quer dizer.

Fernando Carreiro é jornalista especializado em comunicação eleitoral e marketing político.

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