Tendência cascata

Por fabiosaraiva

douglas-chamon-colunistaUm amigo, não economista, fez um comentário típico de pessoas sensatas, que, por não possuírem conhecimento científico em uma área, gostariam de ter a resposta para uma dúvida (os ignorantes dão a sua resposta equivocada). Sua questão era não entender o porquê de haver uma tendência em cascata (d’água) na economia –  quando um empresário, por exemplo, corta gastos e investimentos, o consumidor corta consumo em seguida, e vice-versa, como se houvesse um acordo entre eles, jogando a economia para a recessão.

A resposta a essa sinergia é simples: ocorre por uma questão psicológica chamada expectativa dos agentes. Existe pela convivência entre os empresários e consumidores, fazendo-os ter (ou pensar ter) ciência dos atos alheios, levando-os a se “proteger” a partir do movimento negativo do outro. Ao prever uma queda no consumo, o empresário reduz produção e investimento, e ao primeiro receio de desemprego a população reduz consumo. As perguntas que ficam são: quem se moveu primeiro e como reverter esse processo negativo, retomando o crescimento da economia?

A solução desse dilema é um dos maiores conflitos entre as duas grandes correntes da teoria econômica nos últimos três séculos: a clássica e a keynesiana. Em linhas gerais, a teoria clássica diz que o próprio mercado atingirá um mínimo (equilíbrio), recuperando-se posteriormente, sem a intervenção do Estado, buscando o melhor patamar para todos os envolvidos (a tal mão invisível).

Já a keynesiana rebate, afirmando que a irracionalidade do mercado jogará a economia num poço sem fundo, havendo a necessidade de intervenção do Estado com políticas econômicas progressivas, sobretudo aumentando seu gasto e demandando serviços e bens dos empresários e das pessoas, alterando as expectativas negativas dos agentes e revertendo a tendência.

Defensor desse segundo posicionamento, cito as intervenções bem-sucedidas do governo americano na grande recessão de 1930 e do brasileiro em 2009, quando da crise internacional. Para a presidente eleita no domingo, um dos passos mais importantes nesse sentido é a busca da união nacional, comprometida há algum tempo pelo ambiente eleitoral.

Douglas Chamon é mestre em Economia, consultor de empresas e parceiro técnico do Instituto Euvaldo Lodi – Findes e Tecvitória 

Loading...
Revisa el siguiente artículo