A inflação, o dólar e as eleições

Por fabiosaraiva

douglas-chamon-colunistaMuito se tem discutido sobre o difícil momento por que passa o setor industrial, e muitas são as causas para o problema, mas a sobrevalorização cambial, que impera soberana desde o advento do Plano Real e deteriora lentamente a nossa competitividade, é uma das mais importantes. Traumatizado com décadas de inflação descontrolada, o ataque a este “dragão” tornou-se um dos maiores objetivos de governantes e economistas, com o discurso de que nada é positivo com inflação elevada. Naturalmente não discordo deste pensamento, mas pergunto, o que é inflação elevada? Diversos são os causadores do aumento dos preços, e cada analista busca uma forma de definir o problema. Entretanto, uma medida para conter esta alta é quase unânime: a sobrevalorização cambial, que se configura no fortalecimento da moeda brasileira, tornando-a capaz de comprar mais facilmente produtos do exterior, os quais inundam a nossa economia com preços baixos, contendo os preços dos produtos aqui fabricados. Soma-se a isto a maior destinação, para o mercado interno, dos produtos nacionais, dada a dificuldade de exportar, aumentando ainda mais a oferta e reduzindo os preços. Atualmente a taxa de câmbio ronda patamares mais elevados, isto é, encontra-se desvalorizada, o que deveria ser visto como uma oportunidade para retomarmos o crescimento industrial, uma vez que os produtos nacionais estariam mais competitivos, interna e externamente. Ao invés disto, o que se noticia incessantemente na imprensa é uma inflação “descontrolada”, mesmo estando dentro da meta (ou, em alguns momentos, um pouco acima), gerando um pânico desnecessário, uma vez que este repique dos preços não se caracteriza em um descontrole que jogará o país na hiperinflação. Meu temor é o de que, com o fim da eleição, os ataques à economia acabem e a calmaria retorne às transações monetárias, fazendo com que a taxa de câmbio “volte ao seu patamar desejado”, sobrevalorizado, e a inflação para o centro da meta (4,5% a.a). Continuaremos controlando a inflação artificialmente, por intermédio da moeda forte, enquanto os demais países buscam competitividade industrial desvalorizando suas moedas e controlando os preços com maior produção, e não com elevação de importação.

Douglas Chamon é mestre em Economia, consultor de empresas e parceiro técnico do Instituto Euvaldo Lodi – Findes e Tecvitória 

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