O Brasil que sai das urnas

Por fabiosaraiva

diego-casagrande-colunistaDilma Rousseff foi reeleita na campanha eleitoral mais dura desde 1989. Os artifícios usados mais pareciam de guerra. Sobraram muitas baixas e um país dividido. Surgiu pela primeira vez uma oposição social, popular e verdadeira, como nunca antes visto. O PT manteve o poder, mas acabou a hegemonia petista.

O fiel da balança foi novamente o nordeste. Duas coisas predominaram para a lavada de Dilma na região: o Bolsa Família e o medo de perdê-lo. A própria presidente se jactou durante os debates eleitorais que cerca de 50 milhões de brasileiros são beneficiados pelo programa de distribuição de renda. O programa é válido. Ruim é seu uso político usando a estratégia do medo. Não por acaso, todas as tentativas de institucionalizá-lo transformando-o em lei fracassaram no Congresso. Dominado pelo PT com base alugada, mais do que garantir o acesso ao programa o partido e seus próceres queriam assegurar dividendos com ele. E conseguiram. Não foi casualidade o fato de que na reta final uma campanha de terror acabou espalhada Brasil afora. Se Aécio vencer vai acabar o Bolsa Família. Se Marina vencer vai faltar comida no prato. Aqui mesmo em Porto Alegre comitês partidários se prestaram a este serviço asqueroso fazendo ligações telefônicas. No nordeste então, carros de som divulgavam a mentira nas pequenas cidades do interior. A campanha do medo direcionada às comunidades menos esclarecidas surtiu efeito.

Da minha parte, acredito que o Brasil continuará sendo roubado nas estatais, nos ministérios e nas obras públicas. As liberdades, sobretudo a de imprensa e expressão, continuarão ameaçadas. A economia não corrigirá seu rumo e permanecerá seu processo de degradação. Cuba e outras ditaduras continuarão tendo obras financiadas com o nosso dinheiro em contratos secretos. Os terroristas do Estado Islâmico continuarão sabendo que têm no Itamaraty um canal de proteção na ONU. O PT continuará montando sua bancada no STF. E a lista é enorme.

Hoje, depois da campanha eleitoral mais politizada que já vivi, vejo também que metade da população brasileira saiu da zona de conforto e está disposta a enfrentar o governo. Um povo que tem medo do governo é um povo escravo. O antipetismo, uma defesa social, cresceu e continuará. O recado dado agora é não aceitar que mandem na nossa liberdade. E os cidadãos saíram do armário nesta eleição. Às vezes, perder é ganhar. Bem-vindos ao Brasil que sai das urnas!

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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