Minhas férias em Pequenópolis

Por fabiosaraiva

diego-casagrande-colunistaFui passar férias em Pequenópolis. Gosto muito de lá. De pequeno vilarejo encrustado nas montanhas, virou um país. Tem as mulheres e o pôr de sol mais lindos do mundo. Mas tem também um povo honesto e trabalhador que, infelizmente, anda sofrendo muito. Durante muito tempo as pessoas quiseram ser enganadas pelos políticos e pelos governos. Elas pediam isso. Com medo de enfrentar o futuro, faziam de tudo para viver no passado. Hoje Pequenópolis está em crise, quebrada. As escolas públicas são ruins, a saúde não anda nada bem, a infraestrutura vai mal. E a criminalidade por lá está deixando as pessoas assustadas. Fui passear no parque e tomar uma bebida com amigos. Lá eles têm o hábito de beber um chá quente, sentados na grama, enquanto conversam. Um fato me espantou. Tão logo escureceu as pessoas saíram correndo para suas casas com medo de assaltos. Aliás, as casas viraram presídios de tantas grades e alarmes. E cheias de concertinas, aqueles arames de aço altamente cortantes que foram criados para usos em áreas militares. Estão por tudo. Sair à noite em Pequenópolis é risco de vida.

Enquanto eu estava lá houve muitos assaltos. O tempo todo. Bancos, caixas eletrônicos, pedestres, taxistas, donos de botecos, donas de casa, motoristas de ônibus e todo e qualquer ser vivo que caminhe ou rasteje em Pequenópolis está na berlinda. Naqueles dias, estavam todos abismados com a violência. Lá está se matando por nada. Dentro dos ônibus morrem estudantes, policiais e vítimas indefesas de assaltos. Há muitos dentro dos ônibus. E fora deles também. Mataram até um cadeirante dono de bar. Não satisfeitos que pegaram uns trocos do caixa e um telefone celular, os bandidos derrubaram o homem sem as pernas e encheram o pobre homem de balas. As pessoas estão morrendo como moscas em Pequenópolis. Mas o governo diz que está tudo bem. Por lá roubam cachorros também. Só por maldade. E o estupro está em alta. Agora a Justiça está soltando estupradores. Pânico geral.

E tem eleição em Pequenópolis. O presidente deve sair menor do que entrou. É muito arrogante. Ele diz que fez estradas, melhorou escolas, melhorou a saúde e que as pessoas têm a melhor renda do mundo. Mas ninguém sente isso. Falta dinheiro na carteira. E um pouco de vergonha na cara também. Fazer o quê? A população de lá reclama mas não aprende.

Um dia Pequenópolis há de ser grande. Quem já esteve lá sabe que é possível.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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