A geração da covardia

Por lyafichmann

Aos 42 anos, entrei na segunda parte da vida. Agora já tenho legitimidade para fazer alguns balanços da minha geração. E digo a vocês: das coisas boas é que aprendemos a gostar da liberdade. Lutamos por ela e não abriremos mão dela. Este é o lado bom de que me orgulho. O lado ruim é que, infelizmente, minha geração virou covarde. Não entrarei no mérito do por quê. Os motivos são muitos e não interessam agora, às vésperas da mais importante eleição dos nossos 25 anos de democracia. O fato concreto é que somos tíbios, titubeantes, encolhidos. Somos aqueles que se acostumaram a aceitar tudo sem dar nem um pio. Somos a geração que foge dos riscos e fica olhando o umbigo no espelho. Aqueles que não bateram de frente contra os desmandos do país. Somos os jovens velhos que estão vendo, há muito tempo, os direitos individuais serem esmagados por partidos e políticos corruptos. Somos uns frouxos e bem piores que nossos pais.

Até aqui, minha geração viu de camarote o aumento estratosférico dos impostos sem fazer nada. Também acompanhamos passivamente surgirem grades e mais grades ao redor das nossas casas, para que passássemos a viver como presidiários, criando nossas próprias ilhas de pretensa segurança. Vimos a criminalidade explodir e colocar nosso país entre os mais violentos do planeta, com um número de homicídios de fazer inveja à Síria em guerra civil. Vimos os políticos tornarem as maiores mentiras do mundo verdades absolutas e não nos organizamos para mudar. Hoje, vemos Roma pegar fogo de camarote e tocamos nossa harpa. Os mais arrojados sonham em mudar de país, quando deveriam lutar para mudar o nosso país.

O que quero dizer é que a minha geração falhou. Há duas décadas quando tínhamos 16, 18, 20 anos, saímos às ruas para exigir que o chefe de um governo corrupto fosse apeado do poder. Enchemos as praças, ruas e avenidas. Inventaram uma Elba e ajudamos a tirar o presidente. Fizemos nossa parte no treino. No jogo de agora, valendo, nos encolhemos.

Hoje, com todo aquele aprendizado, não fomos capazes de amparar os mais jovens que saíram às ruas nas manifestações do ano passado. Se estivéssemos juntos, eles teriam feito muito mais. Enfim, no aspecto moral deixaremos monstros e dragões ainda maiores que terão de ser enfrentados. Mas tenho fé que a nova geração que está chegando seja melhor do que a nossa. Eles terão de ser. É questão de sobrevivência.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h.

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