As lágrimas de crocodilo

Por fabiosaraiva

diego-casagrande-colunistaUma das cenas mais horrendas de se ver é um crocodilo abatendo sua presa. Não importa se grande ou pequena, a presa de um crocodilo não tem segunda chance. Já vi crocodilos pegarem pássaros, bezerros e até filhotes de elefante pela tromba. Mas o que me chama mais atenção nos crocodilos são as lágrimas. Durante a deglutição do alimento, elas brotam em profusão. Quem assiste tem a nítida sensação de que os répteis estão chorando enquanto comem. Esta é uma das razões pela qual se associa falsidade e fingimento aos crocodilos. A explicação mais plausível é que um pedaço grande de alimento possa gerar algum estímulo nas glândulas lacrimais. Sabe-se lá. Fato é que existem muitos crocodilos entre nós.

Recentemente, o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a mais de 200 anos de prisão por 52 estupros, foi preso no Paraguai. Diante das câmeras, vieram as lágrimas. O monstro chorando. A bela e jovem Suzane Von Richthofen matou cruelmente os pais dentro da própria casa com auxílio de dois homens. Depois chorou compulsivamente no enterro e foi consolada por familiares e amigos que se compadeciam. Atuação para ganhar um Oscar. E mais recentemente o pai do menino Bernardo pediu ajuda no rádio para encontrar seu filho desaparecido. Dias depois se descobriu o corpo do garoto e o pai tornou-se um dos suspeitos por tamanha brutalidade. Nestes e em tantos outros casos pessoas agiram como crocodilos, metaforicamente falando. Foram tão dissimuladas que nos levam a pensar do que são feitos os pensamentos e emoções do ser humano.

Semana passada o ex-presidente Lula participou de um ato “em defesa da Petrobras”. Depois de tudo, achei que não teria coragem de tamanha desfaçatez. Com um casaco laranja de petroleiro, disse estar lá para proteger a estatal. Falou e fez aquilo que mais gosta: disse que só ele e sua turma podem salvar a Petrobras. E apontou o dedo para todos aqueles que ousam ameaçar o projeto de poder hegemônico que planejou para o Brasil. O que Lula não disse – e jamais dirá – é a verdade sobre a nomeação de Paulo Roberto Costa, o todo poderoso ex-diretor de abastecimento da Petrobras, a quem chamava de “Paulinho”. O homem teve poder como poucos nos governos de Lula e Dilma e acaba de fazer um acordo judicial para entregar os beneficiários da podridão. Espera-se que surjam bagres e tubarões.

A Petrobras foi saqueada. E os crocodilos choram contando os bilhões.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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