Pauta trancada na ALMG

Por fabiosaraiva

carlos-lindenberg-colunistaSe alguém fizer a conta vai chegar à conclusão que há quase 90 dias, senão mais, a Assembleia Legislativa não vota um projeto sequer. Resultado da eleição? Em parte, sim. Porque durante a campanha não havia nem clima nem quórum para votação. Afinal, os deputados precisavam visitar as bases para buscar a reeleição – coisa que não aconteceu para 32% dos atuais parlamentares estaduais. Acaba a eleição, por que não votam? Porque houve a eleição, quer dizer, porque ficaram sequelas da campanha eleitoral e com isso a pauta de votações está trancada, no jargão do legislativo: não se vota nada.

E não é por falta do que votar. Não fossem tantos outros projetos relevantes para o atual e para o futuro governo, há o orçamento do Estado, peça fundamental para qualquer governo. O problema é que, com a pauta trancada e com o bloco que emergiu vitorioso das eleições forçando um pouco a situação, não há clima para votação nem mesmo do orçamento. Na verdade, o bloco que hoje ainda é oposição se queixa de que o atual governo está enviando projetos inconvenientes para o futuro governo, como seria o caso do aumento de 4,65% para o funcionalismo. A oposição reclama que a iniciativa, anunciada no transcorrer da campanha, é eleitoreira e linear, isto é, o reajuste seria para todos os servidores, o que criaria problemas para algumas categorias – Educação, principalmente.

Essas coisas, no fundo, revelam um reposicionamento das forças políticas que atuam na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, vale dizer, os partidos e os blocos que os aglutinam. Pelas contas de alguns parlamentares, a próxima Assembleia estará dividida em quatro blocos, assim: um da situação, outro da oposição e dois outros independentes – vale dizer, nem governo nem oposição, a depender do que estiver em votação. Mas há quem ache que não há espaço para quatro, mas no máximo para três: um da situação, majoritário, outro da oposição, minoritário, e um terceiro, digo independente, que atuará de acordo com os interesses em jogo. É possível que seja assim. Melhor, no entanto, seria que governo e oposição se entendessem agora para destrancar a pauta e votar projetos de interesse do Estado.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.

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