Equilíbrio e tensão

Por fabiosaraiva

carlos-lindenberg-colunistaO senador e candidato do PSDB à presidência Aécio Neves tem, a rigor, três dias para reverter a tendência ligeiramente favorável à sua adversária, Dilma Rousseff, de acordo com as últimas pesquisas do Instituto Datafolha, levando em conta a margem de erro dos que pesquisam a vontade popular. Empatados tecnicamente desde o início do segundo turno, Dilma e Aécio vêm pegando uma acirrada queda de braço, em que não faltaram sequer trocas de ofensas nos debates pela televisão. Na virada do primeiro para o segundo turno, Aécio saiu na frente, embalado que vinha após ultrapassar Marina Silva e cravou 46 contra 44 de Dilma na soma dos votos totais, configurando o empate técnico, já que a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Na segunda rodada, Aécio continuou na frente – 45 a 43 – e ao cair um ponto nos votos totais, onde entram nulos, brancos e indecisos, já deu o primeiro sinal de que estava ao que parece batendo no teto.

A confirmação veio na 3ª rodada, quando Dilma subiu de 43 para 46 e Aécio caiu de 45 para 43, mantendo a  situação de empate, porém já sendo superado por Dilma numericamente. Na última pesquisa, divulgada ontem, Dilma manteve a dianteira e ganhou um ponto, indo de 46 para 47%. E de onde veio esse ponto? De Aécio? Não.  Veio do contingente de indecisos que somavam seis por cento e desceram para quatro – contingente este, por sinal, que poderá decidir a eleição, dada a pequena diferença entre os dois candidatos.

E assim, empatados tecnicamente, mas com a candidata à reeleição ligeiramente à frente nos votos totais, Dilma e Aécio fazem os últimos atos de campanha entre hoje e amanhã, um deles, o debate na Globo, sexta. Quem ganhar levará a vitória com margem estreita de diferença, mas levará junto dois grandes problemas para resolver: a necessidade de pacificar o país, que sairá das eleições rachado ao meio, e promover na sequência a reforma política, sem a qual o futuro poderá ser nebuloso, fruto do radicalismo levado quase ao extremo, numa campanha em que faltaram propostas e sobraram baixarias, protagonizadas por dois mineiros, tidos todos como dotados de elevado senso de equilíbrio.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.

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