As liberdades

Por Nadia

antonio-carlos leite colunista Muito se lutou neste país para termos restabelecidos  direitos mínimos de liberdade individual e civil. Mas isso foi há algum tempo. E o tempo é inclemente com a memória e a mente. Lutas foram esquecidas. E as liberdades acabaram confundidas. Toma-se o exercício da liberdade civil como atitude definitiva para a existência da liberdade democrática. Em outras palavras, o fato de termos eleições, partidos, imprensa livre não nos torna efetivamente uma democracia. Há questões institucionais  ainda não superadas, como a ascendência exagerada do Poder Executivo sobre os demais (só para ficar no plano federal, o Congresso é subserviente, e o Supremo Tribunal Federal caminha rapidamente para isso). Mas a questão fica mesmo deturpada quando se analisam as liberdades de  opinião e individuais. Qualquer frequentador de redes sociais sabe dos excessos cometidos na internet por esses dias. A web se transformou numa enorme mesa de botequim. Mas a conversa não é das mais agradáveis. Há precoceito e patrulhamento. Há pouca defesa de ideias e excesso de ataques. E há intolerância. Enorme. Intolerável. Porque a intolerância embute o desprezo absoluto pelos pensamentos do outro. Na prática, quem discorda do patrulheiro ideológico não lhe merece respeito. Pior: a ideia quase consolidada de haver uma maneira certa de pensar o país (e, de resto, a vida) anula qualquer possibilidade de debate, de discussão e da evolução surgida a partir da troca de pensamentos.

Daqui a alguns dias, o país escolherá seu futuro. Vai exercer esse direito de forma democrática. Quem nunca passou pela experiência de não poder votar não tem noção do valor desse ato. Alguns herois morreram por ele. Naquela época, havia também o receio de emitir opinião. Porque nunca se sabia qual seria o destino de seu posicionamento. Paradoxalmente, o excesso de liberdade das redes sociais tornaram-nas autoritárias. As pessoas passaram a temer emitir suas ideias porque, se elas contrariam determinado grupo, logo viram alvo de uma saraivada de ataques preconceituosos, virulentos, cheios de soberba, proferidos por quem se considera superior intelectual, moral e eticamente.

A campanha tornou-se raivosa a ponto de dividir o país em “nós” e “eles”. Resta torcer para esse clima não perdurar após a divulgação dos resultados. Porque até mesmo uma obviedade da democracia, ganhar ou perder uma eleição, parece ter sido esquecida neste país de trajetória democrática de passado tão rico e de presente tão imperfeito…

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