Suicídio entre crianças e adolescentes: por que precisamos falar sobre isso

Por Ivana Moreira

Este mês é conhecido como “Setembro Amarelo”, o mês de prevenção ao suicídio. E prevenir passa por aprender a identificar, muito rapidamente, os sinais silenciosos da depressão – em adultos, em adolescentes e crianças. Num contexto como o atual, com mudanças bruscas na rotina dos pequenos por causa da pandemia, mais do que nunca, pais precisam ficar atentos para o risco da depressão infantil e suas consequências.

Mas será que precisamos realmente falar sobre esse assunto? Falar sobre suicídio não é um jeito de despertar no outro algo que ele nem pensava? Não. Pelo menos é o que garantem os especialistas. “Falar sobre suicídio salva vidas”, afirma a psicóloga Patrícia Nolêto. “Ninguém se mata de um dia para o outro. Tudo começa de um jeito muito sutil, vai crescendo, crescendo, até que viver não vale mais a pena.” Segundo ela, para identificar os sinais de depressão é preciso observar a seguinte tríade:

As emoções. São quatro as que levam à depressão: tristeza, desesperança, culpa, medo.

Os pensamentos. É comum pensamentos sobre o presente como: “Não tenho saída”; “Não há nada que eu possa fazer para mudar isso”; “A vida não tem graça”; “Se eu pudesse, eu sumiria”; “Se eu sumir, ninguém vai sentir falta”; “Era melhor eu nem ter nascido”.

Os comportamentos. Os mais frequentes são: preguiça de conversar, isolamento, apatia, alteração de apetite e sono (para mais ou para menos), irritabilidade, insegurança, dependência.

Segundo a psicóloga, famílias que vivem “cada um no seu quarto” dificilmente reconhecem os sinais da depressão em crianças e adolescentes. “Para perceber emoções, pensamentos e comportamentos dos filhos, é preciso estar realmente perto, conviver, interagir. E isso é muito mais do que simplesmente estar todo mundo em casa.”

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