Movendo-se na pós-quarentena

Por Pro Coletivo

Muitas mudanças de comportamento serão necessárias no mundo que, gradualmente, sai do isolamento social. Na nossa desequilibrada “normalidade”, construímos cidades insalubres e estressantes, baseadas no carro movido a combustão, modal que já vem há algum tempo sendo questionado. Essas horas perdidas no trânsito absorvendo poluentes – em São Paulo a população passa, em média, um mês e meio por ano presa em congestionamentos – nunca fizeram sentido. Agora, muito menos. No mundo todo tivemos a chance de respirar melhor e apreciar o céu claro e limpo. A poluição do ar se reduziu 17% no planeta e 25% no Brasil durante essa triste pandemia.

Isso posto, o que se desenha no cenário futuro é a implantação de metrópoles mais inclusivas, sustentáveis e saudáveis. O transporte coletivo, que leva muitas pessoas e é essencial em qualquer grande cidade do mundo, precisará ser reposicionado com várias medidas, garantindo segurança sanitária. Confira duas tendências fortes:

  • A bicicleta, recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como o modal mais indicado na pós-pandemia, é a aposta de mais de cem cidades do mundo. Além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa e promover a saúde das pessoas, reduz a lotação no transporte coletivo, evita custos e mantém a distância física necessária nessa fase crucial. Desde o primeiro dia da quarentena, em março, Bogotá implantou 117 km de ciclofaixas temporárias. A Itália está oferecendo bônus de até € 500 (cerca de R$ 3.000) para quem quiser comprar uma bicicleta. A medida, que também se aplica a bikes e scooters elétricos, será válida até o final do ano para quem mora em cidades com mais de 50 mil habitantes.
  • Menos espaço para carros é uma das prioridades nessa fase. Berlim, que já conta com 1.000 km de ciclovias, vem reduzindo o espaço destinado aos carros e ampliando calçadas para estimular a caminhada. A capital da Alemanha também tornou obrigatório o espaço de 1,5 metro entre carros e ciclistas. O estímulo ao transporte a pé também faz parte dos planos de cidades como Nova York e Toronto, que redimensionaram os tamanhos das calçadas para priorizar o pedestre, além de instituir mais ruas fechadas e “calmas”, onde a velocidade é reduzida. E várias cidades dos Estados Unidos também lançaram mão de espaços de estacionamento para ampliar calçadas.
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