Mais humanidade, por favor

Por Pro Coletivo

Duas palavras muito faladas nessa pandemia são “coletivo” e “coletividade”, para se referir à importância de pensar na sociedade como um todo, buscando benefícios para todas as camadas da população. Algo, aliás, que não costuma acontecer no Brasil, “um país de poucos”. Por isso mesmo a covid-19 escancarou, entre outras mazelas decorrentes da nossa imensa desigualdade social, a falta de políticas públicas para a coletividade, principalmente nas áreas da saúde, da educação e dos serviços, como os de transporte.

Desde o início do isolamento ficaram ainda mais evidentes o individualismo e os interesses particulares da classe política. Com exceções vindas de parcelas da população que se abriram bastante para a solidariedade.

Agora, com o afrouxamento da quarentena, há muito o que fazer. Há, na verdade, um novo país a construir. E que ele não volte àquele “normal” de antes, pois a nossa normalidade não é de fato benéfica. Construímos sociedades desiguais em metrópoles insalubres e estressantes. Junte-se a isso congestionamentos de horas, com pessoas sozinhas em seus carros, mais uma série de problemas urbanos, e temos uma conta que não fecha.

A questão que se apresenta é: como vamos agir daqui para a frente? Continuaremos individualistas? Cada um no seu carro, ou vamos também andar de bicicleta, de transporte público e caminhar mais? O poder público irá, enfim, investir fortemente no transporte coletivo, como faz todo país sério? Trens, metrôs e ônibus são vitais nas grandes cidades, e com os novos desafios que vieram com o vírus, eles precisam ser ainda mais impulsionados e melhorados.

Nossas escolhas, sejam de mobilidade ou de consumo, influenciam diretamente a saúde e o bem-estar de todos. “Na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”, disse certa vez o grande líder indiano Mahatma Gandhi. Se Gandhi vivesse hoje, sua luta sem dúvida seria parar a onda de consumismo e de individualismo que assola o mundo. “Todo aquele que tem coisas de que não precisa é um ladrão”, dizia Gandhi. Obviamente não porque roubou, mas porque, por não necessitá-las, está inviabilizando a utilidade de uma matéria-prima e de algo.

“Mottanai”, uma expressão japonesa que significa “Que desperdício!”, pode ser considerada o novo mantra desses tempos pós-pandemia, em que, com menos recursos, devemos repensar o que jogamos fora cotidianamente – seja fumaça poluente expelida pelos veículos movidos a combustão, seja alimento, ou mesmo o nosso precioso tempo.

É importante repensar como vamos trilhar os nossos próximos passos enquanto sociedade e indivíduos, para que não só a nossa imunidade aumente, mas também a nossa Humanidade.

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