Tempos difíceis

Por José Luiz Datena

Interessante como o domingo estava lindo. Os dias estão lindos. O céu é mais azul, o ar mais leve e até gostoso de respirar. Deveria ser o mundo perfeito defendido pelos ecologistas de plantão. Mas não é assim. Todos estamos mais tristes, chorando os nossos doentes e mortos, sofrendo por quem tem fome e olhar perdido pela esperança que parece mais distante. Tudo está como antes, mas não podemos tocar e abraçar, coisas simples que, por sempre serem tão comuns, não pareciam importantes. Mas, agora que são proibidas, fazem falta.

O vírus mata mais que nossos corpos, acaba com nossa felicidade e não há como viver sem ser feliz. Um inimigo invisível é um monstro gigante e nos faz ciente do quanto somos pequenos, nos deixa menos arrogantes e dá a dimensão exata de como todo dia estamos perto do limites entre viver e morrer.

Isso vai passar, e quando passar, não vamos lembrar de o quanto estivemos perto de saber que somos tão frágeis perante o universo. Basta um sopro divino ou até mesmo um erro humano para ameaçar nossa existência. Mas a vida é assim, um sopro. Bom lembrar disso quando a tempestade se for. Haverá um sol tão lindo como o que brilha neste céu despoluído, mas saiba que o mal sempre volta à menor mudança do vento mais fraco e inesperado e, como hoje, seremos apenas folha ao vento do destino.

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