Canguru no Metro: Filhos com deficiência pedem mais com eficiência

Por Ivana Moreira

Todo nascimento de um filho mexe na estrutura familiar e na organização da casa. “Mas o de uma criança com deficiência não é uma situação simples, tampouco confortável”, diz a pedagoga Priscila Pereira Boy. Segundo ela, é preciso falar sobre o tema com franqueza. O primeiro desafio para os pais é lidar com a  própria frustração. “Quando uma criança nasce, os pais costumam depositar várias expectativas sobre seus filhos com o intuito, na maioria das vezes inconsciente, de diminuir as próprias frustrações do passado”, explica. Outro desafio é lidar com as cobranças e os preconceitos das outras pessoas.

Superproteção não é solução

Consultora educacional e autora de livros infantis, Priscila lembra que uma criança com deficiência, como qualquer outra, deve ser protagonista de sua própria história. Pais e educadores devem evitar superprotegê-la, poupá-la, subestimá-la. A criança com deficiência deve ser vista essencialmente como criança e, portanto, como pessoa. Desde o início, deverá ser consciente de que tem limitações, dificuldades, diferenças, como, na verdade, todos temos. E, ao mesmo tempo, ser levada a ver tudo o que tem de bom, seus talentos e habilidades.

Resultados não perfeitos são aprendizado

De acordo com Priscila, é fundamental que o filho com deficiência realize pequenas tarefas. Pode levar mais tempo e ter resultados não tão perfeitos, mas é por meio da experiência que aprendemos. É percebendo que sapatos trocados incomodam que a criança verá a necessidade de calçá-los corretamente na próxima vez. Resolver por ela, o que ela vai vestir, o que vai comer, que filme vai assistir, também não é uma boa opção.

Pais não são eternos

A especialista lembra que os pais devem tentar construir uma vida autônoma para o filho, para que ele possa dar continuidade a sua existência, mesmo sem a presença deles. É fundamental aprender a ler, pegar um ônibus sozinho, consultar coisas na internet, usar o telefone e administrar seu próprio dinheiro. Coisas que para as crianças ditas “normais” são naturais ao longo do tempo, mas que para as crianças com deficiência pode levar mais tempo. Mas com a ajuda correta dos pais, elas aprenderão. “Filhos com deficiência pedem pais com eficiência”, resume Priscila.

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