Nós e os Bichos

Por José Luiz Datena

O céu anda caindo em São Paulo, em boa parte do Brasil. Esperado, afinal estamos em estação de águas. O que não estamos preparados neste país, por falta de política habitacional, especulação imobiliária e crescimento desordenado, sem Plano Diretor de nossas cidades, é para o caos que desce a montanha com desabamentos que levam vidas e sonhos, rios que deixam seus leitos parando o trânsito e invadindo casas como visita inesperada.

Dois garotos morreram com escorregamento de terra, em Osasco e Francisco Morato. Uma família foi soterrada em Belo Horizonte enquanto a mãe servia comida para os filhos pequenos. A linda região montanhosa do Espírito Santo, com suas cidades e vilas bucólicas, ficou parecendo cena de guerra em meio a saques defendidos a bala por donos de lojas alagadas.

Noé salvou os bichos no grande dilúvio. No Brasil, os mais pobres, principalmente, foram abandonados à própria sorte pelos homens que elegeram para fazer o que raramente fazem: pensar no povo.

No meio da tragédia, bombeiros, homens do Águia e Defesa Civil são os heróis de sempre. Sem eles seria, claro, muito pior. Mas precisamos de menos heróis e mais gente que minta menos nas campanhas políticas e faça algo de verdade para diminuir a dor do sofrido cidadão brasileiro. Mesmo assim, será sempre difícil. Com tanto tempo de abandono, começando a agir agora, a coisa melhora, só quem sabe nos próximos 30 anos, e olhe lá.

Mas é preciso ter vontade e coragem para isso, exatamente o que falta em nossos representantes (em sua maioria). No mais, os bichos tiveram mais sorte com Noé do que nós com os políticos.

Por isso que às vezes é melhor ser bicho ou, em último caso, Noé, que ao que consta, não dependeu de voto de ninguém pra fazer sua arca, a não ser é claro da vontade de DEUS. Que Ele nos ajude.

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