Coração

Por José Luiz Datena

Dia tranquilo, meio de semana, exame de rotina para a correção de uma hérnia, resultado de uma cirurgia anterior. Interessante como a vida nem sempre parece o que é! Hospital de bacana, médicos geniais, aparelhos que parecem que levam você à Nasa. Tudo isso que o brasileiro comum não tem no SUS, na verdade, SUSTO. Pois é, mas o resultado foi o mesmo um baita susto de verdade. Diagnóstico nada bom. Das três artérias do coração (meu coração), duas estavam 90% entupidas. Isso mesmo: corria o risco de cair duro, mortinho da Silva, de uma hora para a outra.

Não acreditei muito nos médicos (ninguém nunca acredita em notícia ruim contra você), saí correndo do hospital com as calças na mão. Fiz o Brasil Urgente. Mas meio com um pé atrás voltei dois dias depois. Mesa de operação, cateterismo, resultado pior do que esperavam. Chamaram minha mulher quando eu estava desacordado (imagine podia ter morrido sem saber, aliás, nem queria), cogitaram abrir meu peito, serrar meu peito (aiiiiii). Por fim, um time de craques do Sírio-Libanês –de onde, repito, o povo brasileiro está longe, no seu serviço de saúde miserável na maioria do país–, esses gênios da medicina que a maioria de vocês, pela injustiça social do Brasil, só conhece pela TV atendendo autoridades (políticos na maioria), pois é, esses caras decidiram deixar meu corpo fechado (tô precisando mesmo) e, com técnica de Primeiro Mundo, salvaram minha vida enfiando um monte de molas no meu velho e cansado coração.

Acordei feliz, é assim em toda cirugia que você volta da anestesia, vai por mim. Já tirei tumor do pâncreas e da garganta. Quando acorda, sabe que o CARA lá de cima foi legal com você,  tipo assim fica aí mais um pouco. Não vi túnel de luz nem gente morta quando estive fora do ar, mas acordei estranho. Estou estranho, tenho sentimentos estranhos. Não sou nem nunca mais serei o mesmo cara. Qual o sentimento mais estranho? Largar esta me… toda. Isso mesmo. Dar um bico em tudo e, depois de 50 anos de trabalho e perder a maioria do dinheiro que ganhei, viver com minha mulher (que também quase foi há três meses) uma vida simples (não estou rico, muito longe disso, sou campeão em perder grana).

Mas nasci filho de porteiro de Secretaria da Fazenda e mãe que costurava bola para criar minha irmã e eu. Então, sei viver com pouco, vivi com quase nada até 45 anos, agora em maio faço 63. Amo o que faço (não o tipo de programa, mas o trabalho), mas apesar de ser gratíssimo a muita gente que me acompanha há tanto tempo (mesmo o montão que não gosta), acho que dia desses vou tentar ser… FELIZ DE VERDADE!

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