Doria quer ocupar o centro

Por Carlos Lindenberg

O governador ticano João Doria, de São Paulo, parece disposto a abandonar a direita raivosa que o elegeu prefeito e depois chefe do executivo paulista para alinhar-se com o centro, num movimento que não deixa de ser reconhecido como se ele estivesse tentando buscar um lugar que ainda não está ocupado.Com efeito, à direita está o presidente Jair Bolsonaro, quem sabe disputando espaço com ele o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Aliás, é difícil saber quem entre os dois é mais radical e agrada mais à direita.

Doria, espertamente, já percebeu que essa faixa está ocupada, se não surgirem outros nomes, como o do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), de quem aliás o governador paulista vem se aproximando como se para atraí-lo para o seu grupo. De qualquer maneira, é visível o esforço de João Doria de sair da direita mais explícita, mais raivosa mesmo, em busca de um lugar no centro, ou na, digamos, centro-direita, ainda  que do governador paulista se possa dizer que professa mesmo o credo dos que o elegeram, o que mostra, aliás, como a política paulista vem mudando desde as duas últimas eleições – os velhos caciques estão sendo desmontados.

A mais inequívoca demonstração dessa mudança de posição do governador paulista foi o recente episódio do massacre de Paraisópolis, a maior favela da capital, onde nove adolescentes morreram ao serem encurralados pela policia paulista, muitos dos quais foram a óbito sob o pisoteio dos que corriam da força policial que entrou no conglomerado com ferocidade bem ao estilo da soldadesca paulista. No primeiro momento, dória apoiou a ação da polícia, depois ficou em cima do muro, para ao final recriminar a violência policial que matou nove e deixou dezenas de feridos. Posição, aliás, que não agradou à cúpula policial de São Paulo, mas que ajuda a empurrar João Doria para a centro-direita, saindo assim da linha de tiro do presidente Bolsonaro e do governador Witzel, embora essa suposta candidatura não tenha muito a prosperar. De qualquer, é visível que João Doria tenta se afastar da extrema-direita, o que na verdade teve início quando ele começou a ficar distante de Bolsonaro, em cuja carona montou quando percebeu que o então deputado do PSL podia ganhar a eleição. Em outras palavras, Doria tenta polir a sua imagem buscando esse espaço ainda não habitado por outros candidatos. Resta saber se a classe média paulista, radical como os sulistas, absorverá esse novo João Doria.

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