Carne

Por José Luiz Datena

Cansei de ver máscaras teatrais, ilustres da economia, idolatrados na sua ideologia acadêmica. Mas quem sabe fazer conta é o povo. A dona de casa. Sem ler “O Capital” nem ter curso de doutorado, ela tem a sensibilidade do arroz com feijão. O preço.

Aqui, nossos gênios dos números desvalorizam a moeda, diminuem o já minguado poder aquisitivo do povo com salários miseráveis para equilibrar a balança comercial. Moral da história: o tomate explode, o preço do abacaxi vira pepino para o de sempre, o povo brasileiro.

A carne. Esta, para manter a exportação para a China, que levantou a taxa que cobrava dos americanos, foi às alturas. Brasileiro, para comer a própria carne produzida no país, tem que hipotecar a casa ou ir ao açougue com avalista e dos bons.

Como diria o filósofo: nossa dona de casa, quando vê o busto desses nossos gênios da economia diz o seguinte: “Bonita cabeça, pena que não tenha cérebro”. Que não pense como ela, que faz as contas das compras do mês.

Aí vem um recado ao poderoso que se guia no crescimento da economia à custa da fome do povo: quem matou a sede esquece a fonte. Isso nunca termina bem. A Revolução Francesa começou com Maria Antonieta fazendo chacota com a fome do povo. Perdeu a cabeça como o rei e a nobreza. Hoje, as cabeças não são mais guilhotinadas, mas seus donos passam para o esquecimento da mesma forma que chegaram à glória.

Reis e presidentes passam. O povo sempre fica. Não importa a intenção ou coisa que o valha. Mau jeito estraga tudo, até mesmo o que é justo, diz a prudência. Não é aconselhável deixar povo à própria sorte, longe da carne e do pão. A cultura da mesa farta é sábia e justa. Com ela, vêm boas intenções com a saúde, educação e segurança. Sem mesa cheia, há injustiça social e revolta.

Não é sábio blefar, mentir, manipular números. O desigual é contra nossa Constituição de iguais. Os grandes não devem ter gestos pequenos perante o povo que os elege, porque esse mesmo povo que ergue estátuas as derruba quando a fome e a injustiça tomam forma.

Aqui, no linguajar caipira, estouro de boiada ninguém segura. Ainda mais com o preço da carne da boiada em disparada.

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