Crise ainda pode voltar

Por Carlos Lindenberg

Como previsto, o governo não teve a menor dificuldade em aprovar ontem a venda de ativos da Codemig – os chamados recebíveis – pelo prazo de 13 anos, ou seja, até 2032, na Assembleia. Na verdade e a menos que advenham daí ações de terceiros, a aprovação foi tranquila, por unanimidade, até porque o governo espertamente anunciou que esse dinheiro, cerca de R$ 4 a 5 bilhões, será usado para pagar o 13º do funcionalismo e colocar em dia o salário dos servidores, sendo pago no 5º dia útil, como ocorre na iniciativa privada. Isso, a conferir.

Houve um probleminha de última hora, quando o vice-líder do governo, Guilherme da Cunha (Novo) não gostou de alguns itens do relatório final do deputado João Vitor Xavier (Cidadania) e ameaçou uma rebelião, logo debelada. Nem seria diferente. O relatório não trazia nenhum comprometimento para o projeto, apenas resguardava algumas questões que poderão ser suscitadas no futuro, de forma que todo mundo votou a favor, até por que havia um certo consenso entre os deputados, até mesmo nos de oposição, de que o funcionalismo está sendo penalizado pela crise financeira do estado.

No ano passado, o governo Pimentel tentou algo parecido, quando tentou vender 30% das ações da Codemig, mas não conseguiu porque alguns deputados de oposição acionaram o Tribunal de Contas do Estado e ganharam lá o que foi entendido pelo mercado como um sinal amarelo. Com isso, o negócio não se concretizou e o governo passado amargou a perda de 1,5 bilhão de dólares, com o que poderia ter colocado o pagamento do funcionalismo em dia e entrado na disputa eleitoral com melhores condições de competitividade.

Zema poderá se beneficiar ainda de um acordo que está sendo costurado via Supremo Tribunal Federal pelo qual as perdas da Lei Kandir, que devem dar a Minas Gerais mais de R$ 30 bilhões ao longo de 18 anos, com o que Minas teria novas condições para enfrentar a crise. E que crise é essa? Ora, Minas tem a sua economia fundada em dois grandes pilares: a mineração e o agronegócio, duas commodities cujo preço quem põe é o freguês e não o vendedor. Se Minas não mudar rapidamente o perfil de sua economia, passando a produzir mais semiacabados, por exemplo, ou industrializados, essa crise financeira vai voltar mais rápido do que se imagina. É só uma questão de tempo. Este é o desafio que se impõe ao governo Zema. O resto é perfumaria e bate-boca de deputados que querem a reeleição, em suma, demagogia.

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