Gugu

Por José Luiz Datena

O caminho do saber é longo e a vida é curta. Quem não sabe não vive. Acho que o Gugu soube…viver. Foi bom pai, bom filho e claro um nome que marcou a televisão brasileira. Foi cedo demais? Difícil saber. Senna foi genial e eterno na sua vida veloz que terminou numa curva na Itália. Viver muito e sofrer muito as vezes é um fardo. O que importa não é o tempo e sim como você vive. A escolha em viver bem ou mal é sua, então porque não fazer o bem enquanto vive pouco ou muito?

Há os que se contentam em ficar às portas da sorte esperando que ela aconteça e há os que têm coragem de nas asas da audácia buscar sua própria sorte. Gugu foi assim. Lutou por tudo o que conseguiu com esforço antes do talento que tinha de sobra. Mas sentar-se em cima do talento sem esforço não leva a lado nenhum. Foi figurante, assistente, fez de tudo na TV até ter coragem de pedir uma oportunidade ao mestre Silvio, que como sempre sabe reconhecer talento como poucos. Gugu acertou muito, errou um pouco foi humano como todos nós. Aquela história do atire a primeira pedra…Nunca ficou só na imaginação, foi além dela e mais do que só pensar criou quadros incríveis e fáceis de entender na imaginação popular, foi gênio nisto e claro também, em alguns casos, como qualquer um, exagerou. Um jeito simples de negar o erro é desconversar e não agredir. Gugu sempre foi muito gentil mesmo com quem o atacava e isto é virtude dos grandes líderes. Quem é naturalmente grande não precisa ficar se enaltecendo, quem o conheceu de perto sempre disse que viveu de uma forma humilde para os padrões da fortuna que fez com seu trabalho e capacidade.

Porque foi arrumar o ar-condicionado se poderia ter chamado uma equipe de técnicos pra isso? Porque era humano como qualquer um de nós e lá nos Estados Unidos era, como disse em conversa recente com o Ratinho no salão do Jassa, um cara que estava procurando ser. Um cidadão em busca de gestos simples, familiares, em busca do maior tesouro que existe, paz. Espero que tenha conseguido naquele voo do teto ao chão que o levou ao hospital num estado de morte física, o último estágio da falta de atividade cerebral. Em alguns casos a morte pode ser vida, pode ser a paz procurada, pode ser o descanso da alma.

Não cabe a ninguém julgar nem acreditar nem fazer alguém acreditar. Há muito mais coisas entre o céu e a Terra do que imaginamos. As virtudes são o centro da felicidade e com certeza o Gugu tinha muitas. Que descanse na paz que procurava.

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