Um app contra o assédio nas ruas

Por Pro Coletivo

Arquiteta e urbanista mineira, Priscila Gama, de 36 anos, sempre foi inconformada com a falta de segurança e liberdade das pessoas, especialmente das mulheres, para se locomover nas cidades brasileiras. “A gente é criada desde cedo para ter medo de andar sozinha na rua à noite, mas não deveria ser assim”, ela diz.

Essa percepção, e o conhecimento da campanha #MeuPrimeiroAssédio, em 2015, do site Think Olga – que incentivou mulheres a expor nas redes sociais relatos de assédio sexual –, a fizeram pensar em uma forma de evitar essa violência.

Lendo os assustadores e tristes relatos femininos, ela percebeu que muitas histórias aconteciam nas ruas, tinham a ver com deslocamentos urbanos, com a mobilidade. Foi quando surgiu a ideia de fazer um aplicativo que funcionasse como uma companhia virtual. Lançado no mesmo ano, o Malalai, que faz referência à Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que ganhou o Nobel da Paz em 2014 por sua luta pelo direito das mulheres à educação, já foi usado por mais de 30 mil pessoas no país.

Como explica Priscila, o app funciona em três frentes. A primeira é preventiva, com informações de segurança sobre as ruas e um mapeamento colaborativo dos lugares mais iluminados, com comércio aberto e postos policiais. A segunda leva ao conforto cognitivo. “É a sensação de estar seguro, o motivo pelo qual a gente avisa alguém que está saindo de algum lugar e vai chegar em algum horário”, diz a empreendedora, premiada recentemente pelo Prêmio Gol Novos Tempos, que celebra boas iniciativas de mobilidade urbana. O recurso permite que a pessoa tenha sua rota acompanhada virtualmente. E a terceira frente é emergencial, fornecendo um botão de emergência que, acionado, envia mensagens de pedido de socorro a três contatos de confiança pré-selecionados. Há ainda um recurso extra, um anel discreto que permite o uso do botão de emergência de forma mais rápida, via Bluetooth.

“Violência sexual não é muito discutida, tem uma taxa de registro baixíssima, só 10% das pessoas registram, e é um assunto tabu. Só de trazer isso à tona, o feedback já é positivo. O app Malalai está relacionado à liberdade da mulher, de ir e vir, de trabalhar, estudar e crescer. Acho que a gente tem que ter coragem de explorar a cidade e entender que ela é um direito nosso”, conclui Priscila Gama, a inovadora empresária que vem se movendo para tornar o deslocamento a pé das mulheres mais seguro e feliz.

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