Cada qual no seu quadrado

Por Carlos Lindenberg

Agora, depois de algumas trovoadas, é definitivo. Desde ontem, o presidente Jair Bolsonaro já não pertence ao PSL, partido a que recorreu para concorrer à presidência da República no ano passado. E parte agora, junto com o seu filho Flávio, que por ser senador também não perde o mandato, para a criação do partido Aliança para o Brasil. Uma troca assim, no início do mandato, é coisa rara na política do país, em se tratando de um presidente da República, mas também não chega a ser uma coisa inusitada quando se trata de Jair Bolsonaro.

O curioso é que no mesmo dia em que Bolsonaro se desfilia do PSL, o seu desafeto Luciano Bivar, com quem ele travou uma queda de braço pelo controle do milionário fundo partidário, foi reconduzido para mais um período à frente do antigo partido do presidente. Bolsonaro, nesse meio tempo, vai ficar sem partido – ele que já passou por oito.

A primeira preocupação de Bivar é tentar segurar a maior parte dos 53 deputados que o PSL ainda tem. Não vai ser fácil porque quem está no poder é Bolsonaro e a tendência é de ele levar uns 30 deputados para a futura legenda. Nesse caso é preciso que os que forem migrar para a nova sigla esperem antes de qualquer decisão para não perderem seus mandatos. E do outro lado, o novo partido não terá vida fácil porque de cara Bolsonaro e seu pessoal precisam registrar em cartório 500 mil novos filiados. Esse não chega a ser um obstáculo intransponível. O poder atrai. Ainda mais que será o próprio Bolsonaro que irá presidir a nova legenda. O desafio é conseguir esses 500 mil novos filiados até março para que o novo partido possa disputar as eleições municipais do próximo ano. Bolsonaro já disse que pretende disputar prefeituras em 200 municípios.

De qualquer forma, agora não tem mais volta. Bolsonaro e sua turma no Aliança para o Brasil e Luciano Bivar à frente do PSL. Não custa repetir, a disputa entre eles não foi por um, digamos, ideário político ou por questões ideológicas. Foi pelo controle financeiro do partido – que deve alcançar quase um bilhão de reais no próximo ano graças ao fundo partidário e ao fundo eleitoral. O senador Flávio, que também se desfiliou ontem, havia perdido o diretório do PSL no Rio, assim como seu irmão Eduardo, em São Paulo, já estão indicando as novas lideranças nesses estados e assim vai ser também, provavelmente, com o ministro do Turismo aqui em Minas, Marcelo Álvaro Antônio.

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