Força, Bruno

Por José Luiz Datena

Não tem nada mais chato que visita em hospital. Pode ser aquele hospital com cara de hotel cinco estrelas, gente descolada pelos corredores, médicos geniais que salvam gente para caramba, hospital de bacana, em que parece que é até legal ficar doente. Pois é, tudo isso, mas é hospital, onde você tem uma chance melhor de sair dali vivo do que se estivesse no SUS (Sistema Único de Saúde). Mas doença é doença, é como estar na privada do hotel cinco estrelas de Paris ou em um banheiro público. O resultado é o mesmo. Ou você apodrece, morre, vai para o beleléu, ou vive. Simples assim.

Pois foi numa dessas manhãs que fui visitar o prefeito de São Paulo no hospital. Segurança para todo lado, para evitar um ataque político. Nem precisa. O inimigo é o próprio corpo. Mas lá está o Bruno. Barba aparada, camiseta branca, bermuda e um sorriso fantástico no rosto. Não é muita vantagem, mas parecia muito melhor que eu.

Impressionante. O cara tem câncer e deu uma porrada na cara desta maldita doença olhando na cara dela como se não existisse. Coragem de espanhol do velho Mario Covas, o avô com quem foi criado com a avó no Palácio dos Bandeirantes.

Bom papo, claro, sobre doenças. Quase esqueci que estamos no mesmo hospital em que fui salvo há 13 anos de um tumor no pâncreas pelo Marcel e o Juquemura, dois gênios da medicina. Bruno me contou que o avô odiava a máquina de ressonância magnética. Quem não odeia? Os caras vão para Marte e até hoje não inventaram uma engenhoca melhor que esta, onde você parece estar num caixão dentro do túmulo, mesmo que o diagnóstico seja negativo.

Boas tiradas, papo ótimo, pena que o chefe da segurança veio me lembrar que tinha dado a hora da visita. Pô, afinal estamos no hospital. Fui embora feliz depois de um café com o amigo Kalil, outro destes papas da medicina, que salvam gente todo dia e continuam gente boa. Mas eu tinha que ir, afinal, cinco ou dez estrelas, é melhor cair fora de hospital.

Nem prefeito está mais lá. Com certeza, pelo que vi e com a força que tem, ajuda de DEUS e dos médicos geniais, ele vai sair desta. Vai vencer a doença e, claro, continuar pensando na grande maioria do povo que merece uma vida melhor, principalmente, na saúde pública, que se eu tivesse que ter enfrentado 13 anos atrás não teria escrito esta coluna hoje. Força, Bruno!

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