Quem degolou o secretário?

Por Carlos Lindenberg

Afinal, quem degolou Marcos Cintra, secretário da Receita Federal, o presidente Jair Bolsonaro ou o ministro da Economia, Paulo Guedes? A dúvida faz sentido porque no Twitter o presidente disse que ele mandou demitir. Mas o noticiário diz que foi Paulo Guedes quem demitiu. Como este é um governo que padece da falta de sintonia fica aí mais uma: quem está no exercício do poder, de fato e de direito, mais de direito do que de fato, não é o presidente Jair Bolsonaro. É o vice-presidente, o general Hamilton Mourão, que não deu um pio sobre o caso.

Na verdade, ao deixar o secretário da Receita Federal tocar esse a assunto da CPMF pra frente quem deveria ser demitido era o ministro Paulo Guedes, por mais estranha que a tese possa ser. Ora, Marcos Cintra defende a instituição de uma taxa sobre cheques, cobranças e pagamentos há 30 anos, pelo menos. E nunca escondeu isso, muito menos de Paulo Guedes que no fundo o deveria até estimular a fazer isso porque o que importa neste momento para o ministro da Economia é aumentar receita e cortar despesa. É não é isso o que ele está fazendo nesses oito meses de governo? De maneira que ao avançar nesse estudo de cobrar sobre transações financeiras de 0,2% a 0,4%, o secretário não fez mais do que cumprir a agenda do seu ministro, ainda que todos soubessem que o presidente Bolsonaro, já durante a campanha eleitoral havia prometido não voltar com CPMF. De qualquer forma, é inimaginável que o secretário da Receita tocasse num assunto tão delicado sem o conhecimento do ministro da Economia.

Para quem não lembra, a CPMF foi criada no governo Itamar Franco como uma medida excepcional é de curta duração. No governo FHC ela ganhou fôlego e institucionalidade, entrando pelo governo Lula adentro, até ser derrubada, em 2007. Em 2015, a então presidente Dilma Rousseff tentou voltar com a CPMF, incluindo cartão de crédito ou débito, mas aí ela já não tinha condições políticas para entrar com a medida.

Ontem, Mourão jogou um pouco mais de luz nessa confusa demissão ao revelar que na verdade quem mandou Guedes demitir Marcos Cintra foi o presidente que está inclusive hospitalizado. Na verdade, Guedes tratou com o vice no exercício da presidência, depois que Bolsonaro já havia tomado a decisão de exonerar o secretário e comunicado isso ao ministro da Economia por não ter gostado de o assunto ter sido levado a público sem que melhor se inteirado E assim conta-se a história de mais uma demissão no governo Bolsonaro.

Contenido Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo