Ônibus sem cobrador

Por Pro Coletivo

Quem anda de ônibus diariamente costuma presenciar a comunicação entre o motorista e o cobrador, uma dupla muito bem afinada. Não é raro o cobrador ajudar a abrir caminho colocando o braço para fora (medida nem sempre eficiente, convenhamos) ou tamborilar na sua bancada para avisar que os passageiros estão descendo. Eles também conversam sobre situações corriqueiras e trocam ideias nesse espaço coletivo. Uma relação amigável que faz parte do astral diário do ônibus, um modal sustentável, coletivo e – isso mesmo – divertido.

Pois essa parceria tem prazo para terminar. De acordo com a NTU, Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, o posto de cobrador já foi extinto em 33 cidades brasileiras, e outras tantas se movimentam para que os ônibus rodem sem a presença desses profissionais.

Trata-se de um claro sinal dos tempos. Com o uso cada vez maior da tecnologia, algumas funções acabam sendo extintas. Mas, como lembra Francisco Christovam, presidente da SPUrbanuss, entidade que representa as empresas de ônibus em São Paulo, é preciso fazer essa ação com bom senso e propriedade. “O ideal é que os profissionais sejam capacitados para assumir novos postos nas empresas onde trabalham. Essa transição já vem sendo feita gradativamente pelas companhias de São Paulo”, afirma Christovam.

Contam na decisão o fato de que apenas uma parcela pequena de pessoas paga em dinheiro (cerca de 6% em São Paulo, segundo a SP Trans) e o alto custo na conta das empresas. Os valores gastos com pessoal representam 52% das despesas das empresas de ônibus urbanos brasileiras.

Para o usuário, a experiência de viagem será parecida com a de outros países. Em várias cidades europeias e nos Estados Unidos, o pagamento é feito com cartão, pelo celular ou diretamente ao motorista.

Dizem que, em relação às mudanças trazidas pela tecnologia, ou você está no trem ou está no meio da linha. Em breve estaremos vendo a implantação maciça de ônibus elétricos. Em um intervalo de tempo maior, teremos os ônibus autônomos. Nesse caso, serão os motoristas a bola da vez. Portanto, é fundamental, para o bem de toda a sociedade, que os funcionários sejam permanentemente estimulados e capacitados profissionalmente para que não sejam atropelados pelo trem da história, que corre cada vez mais rápido.

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