STF salvou lula

Por Carlos Lindenberg

A determinação da juíza Carolina Lebbos, de Curitiba, de mandar transferir o ex-presidente Lula para São Paulo, de onde ele iria para a penitenciária de Tremembé, é daquelas coisas que só passam na cabeça de um juiz – com todo o respeito aos magistrados. Dizer que é um pedido da Polícia Federal é zombar de quem acompanha esse processo. Não é de hoje que a PF vem implicando que Lula mudou a rotina da Superintendência, que a região ficou confusa, que os partidários e simpatizantes de Lula incomodam com o ‘bom dia presidente’ e ‘boa noite presidente’, de forma que se era para fazer a transferência, que se fizesse à época, não precisava esperar Sergio Moro tornar-se ministro, até porque o ex-juiz de Curitiba não passa por um bom momento depois que o país tomou conhecimento de sua posição à frente Lava Jato.

De maneira que o placar do Supremo Tribunal Federal ontem à tarde – dez a um – em favor da permanência de Lula na sede da PF, em Curitiba, só não encerra o assunto porque na semana que vem o STF vai julgar o habeas corpus em favor do ex-presidente, no caso da acusação de falta de isenção do então juiz Sergio Moro, para julgar o feito. Com ministros do Supremo sendo vítimas da ação inescrupulosa da Lava Jato, mesmo com já dois votos contrários na Segunda Turma, o julgamento acaba sendo de desfecho incerto. Mas o fato é que a decisão ontem da juíza Carolina Lebbos acabou acirrando o ambiente político de Brasília e obrigando o STF a fazer um julgamento dos mais rápidos, para manter Lula em Curitiba.

E por que tudo isso? Quem quiser saber o que é o interior de Tremembé, para onde Lula iria, deveria conversar com um antigo hóspede de lá, o empresário Marcos Valério. Pelo que me contou à época o próprio Marcos Valério, só não o mataram numa cela – provavelmente igual a que Lula ficaria porque a juíza não teve esse cuidado de recomendar uma sala de “estado-maior” para o ex-presidente – por que a intenção dos que invadiram a sua cela era de chantageá-lo. Mas quebraram os seus dentes, por pouco não afundaram seu maxilar, o espancaram a valer e por fim lhe aplicaram um “chuço” que  quase perfurou seu pulmão. Daí a correria do Supremo ontem, que entendeu que Lula corria risco de vida em Tremembé.

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