Não seja refém do celular: 10 passos para um detox digital

Por Angélica Banhara

“Para de olhar para esse celular!” Quantas vezes você ouviu ou disse esta frase nos últimos tempos? O “vício" nos equipamentos eletrônicos — redes sociais e celular em especial — está no centro das discussões nas salas de aulas, nas reuniões de pais, nos consultórios e nos almoços de família.

O assunto é tão sério que um grupo de especialistas criou o Instituto Delete, que tem como proposta orientar e informar a sociedade sobre o uso consciente das tecnologias. Trata-se do primeiro núcleo no Brasil especializado em Detox Digital e institucionalizado na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Lá, profissionais da área da saúde, comunicação e educação (médicos, psicólogos, pedagogos e pesquisadores) estudam a interferência das tecnologias no comportamento humano e oferecem suporte e tratamento aos usuários abusivos de tecnologia.

Mas, afinal, como saber se somos ou não dependentes?

"A dependência digital não está diretamente relacionada ao tempo de conexão de uma pessoa aos seus dispositivos eletrônicos, mas sim ao nível de perda de controle na vida real, gerando prejuízos nos campos profissional, familiar, afetivo ou social”, explica Eduardo Guedes, pesquisador do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, pioneiro no Brasil com o estudo de transtornos de dependência de redes sociais (Facebook Addiction Disorder) e membro do Delete.

Guedes afirma que existem 5 dimensões que podem traduzir os níveis de perda de controle:

  1. Excitação e Segurança.
    Quando existe a tentativa de esquecer problemas pessoais, buscando a tecnologia como um meio melhor ou mais seguro. Primeiro indício normalmente mascarado com a falsa sensação de satisfação experimentada ao utilizar a tecnologia.
  2. Relevância, ou seja, a importância dada à necessidade de se conectar e usar dispositivos.
    A pessoa não consegue desligar o pensamento de forma que a tecnologia começa a dominar lentamente o comando da sua vida.
  3. Tolerância.
    Inclui o tempo dedicado e o nível de controle que se tem dela. A pessoa gasta cada vez mais horas para buscar as mesmas sensações experimentadas antes. Ela perde o controle e substitui os programas reais do dia por maior tempo na tecnologia.
  4. Abstinência e Efeitos.
    Quando não está conectada ou não conseguem usar certos dispositivos ou aplicativos, torna-se irritada, ansiosa e com medo, podendo sofrer alterações no padrão do sono ou alimentação e manifestar sinais de depressão.
  5. Evidências de Conflitos.
    Quando o uso excessivo compromete as relações na vida real. Este é o momento em que percebe a evidência do problema, mas sente-se incapaz de reduzir ou parar, podendo comprometer a educação, desempenho profissional e social.

É importante lembrar que estar nas redes sociais ou acessar o celular não é o problema. A questão é manter o controle da situação.

Veja, a seguir, 10 passos sugeridos pelo Delete para um Detox Digital:

  • Bom senso para que o uso não se torne abuso no dia a dia.
  • Fique atento às consequências físicas (como privação de sono, dores na coluna, problemas de visão) e psicológicas (como depressão, angústia, ansiedade) do uso abusivo.
  • Controle o uso de tecnologias (celular, redes sociais, computador) no cotidiano. Verifique se seu desempenho acadêmico ou no trabalho estão sendo prejudicados.
  • Reflita sobre seus hábitos cotidianos e faça diferente.
  • Não troque atividades ao ar livre para ficar conectado.
  • Prefira uma vida social real à virtual, escolhendo relacionamentos e amizades reais em vez dos virtuais.
  • Pratique exercícios físicos regularmente e faça intervalos regulares durante o uso do celular ou do computador.
  • Não abale o seu humor com publicações virtuais e não acredite em tudo o que é postado.
  • Valorize suas relações familiares e de amizade.
  • Pense no meio ambiente, recicle os aparelhos e evite a troca frequente sem necessidade.
  • Seguindo as sugestões acima você garante um maior controle sobre a tecnologia antes que ela domine você.

Veja outras dicas para o uso consciente do celular

  • Quando for dormir, deixe o celular desligado, no silencioso ou fora do seu alcance. Se ele for o seu despertador, ative o "não perturbe”.
  • Desative as notificações do celular, para não ser interrompido a todo momento.
  • Não olhe o celular durante as refeições: valorize o momento presente, o sabor da comida e a companhia das outras pessoas.
  • Determine horários específicos para navegar nas redes sociais e defina limites de tempo.
  • Não use o celular enquanto dirige. O risco de mandar uma mensagem pelo celular ao volante equivale a dirigir depois de tomar quatro copos de cerveja. Além disso é infração gravíssima, com multa de 282,47 reais e sete pontos na carteira de habilitação.
  • Se a mensagem não for para o grupo, envie diretamente para a pessoa. Desse modo, você evita exposição desnecessária e problemas de comunicação, com interpretações erradas.
  • Evite falar ao celular em lugares públicos e apertados, como elevador ou transportes coletivos.
  • Fique atento à sua postura (sobrecarga no pescoço ao olhar para baixo) e aos movimentos repetitivos ao usar o celular e o computador. Estudos indicam que o uso excessivo das mídias digitais, do celular e tablet têm relação direta com a obesidade, hérnia de disco, problemas de coluna e lesões por esforço repetitivo.
  • Limpe seu celular com frequência: ele passa por vários lugares e por mãos e bocas de diferentes pessoas. Cientistas alertam que celulares podem ter até 10 vezes mais bactérias do que a sola de um sapato e o dobre de bactérias de um banheiro.
  • Lembre-se sempre que número de amigos virtuais ou curtidas não reflete quem você é.
    Revise as políticas de privacidade, garantindo que suas postagens sejam divulgadas apenas para pessoas de seu círculo social. Evite que detalhes da sua família ou vida pessoal sejam acessados por qualquer pessoa.

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Angélica Banhara é jornalista e palestrante especializada em fitness, alimentação saudável e bem-estar. Foi diretora das revistas Boa Forma, Women’s Health e Men’s Health.

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