Canguru no Metro: Transtornos de aprendizagem e o papel da família

Por Ivana Moreira

Meu filho caçula, Gabriel, de 11 anos, ainda não consegue ler. Depois de  passar por diferentes escolas e especialistas, enfim teve um diagnóstico:  Dislexia, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e Síndrome de Asperger. Por muito tempo, eu não falei sobre isso com as pessoas. Queria proteger meu menino do preconceito.

Só recentemente compreendi que esse é o pior caminho, que a desinformação sobre os transtornos que afetam o processo de aprendizagem é justamente o que alimenta o preconceito. Não pretendo me tornar uma ativista da causa e nem transformar meu filho em um símbolo da luta pela inclusão. Mas espero contribuir com informação que ajude outras famílias a lidar com a questão.

“As sequelas sociais por causa da desinformação são mais graves do que os transtornos em si”, diz o psiquiatra Wimer Bottura Júnior. O que ele quer dizer com isso? Que o que mais machuca as crianças vítimas dos transtornos não é o fato de aprenderem num ritmo diferente dos colegas e sim a incompreensão das pessoas que as cercam, sobretudo os próprios familiares.

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As emoções envolvidas

Com tratamento correto (medicamentoso ou não), a maior parte das crianças consegue encontrar caminhos para superar as próprias dificuldades. Mas é preciso que a família compreenda todas as emoções envolvidas nos diferentes tipos de transtorno de aprendizagem na infância e na adolescência. As emoções nos transtornos de aprendizagem é justamente  o tema do simpósio que a Associação Paulista de Medicina irá promover em São Paulo, no dia 17 de agosto (inscrições pelo site www.associacaopaulistamedicina.org.br), aberto a pais, educadores e profissionais de saúde.

A família tem um papel fundamental e é preciso envolver todos os integrantes. É muito comum que só as mães acompanhem as sessões de tratamento. “É preciso tratar toda a família”, explica Bottura Júnior. Mas o sucesso do tratamento depende também do envolvimento da escola e dos profissionais de saúde que participam da vida da criança. Sobre o papel dos educadores e sobre a importância do trabalho interdisciplinar, vou falar na próxima coluna.

*A canguruonline.com.br é uma plataforma de conteúdo sobre primeira infância e prestação de serviços para pais e educadores. A coluna Canguru no Metro é publicada todas as terças-feiras, sempre neste espaço.

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