Parlamento vitorioso

Por Carlos Lindenberg

Era previsível que a reforma da Previdência passaria na Câmara dos Deputados, como será aprovada também no Senado. O que não se esperava é que a diferença fosse tão grande em favor da reforma: 379 votos contra 131. Uma vitória do governo? Não. Uma vitória da Câmara e que pode ser creditada em grande medida ao deputado Rodrigo Maia, presidente da Casa, que na verdade foi o grande articulador da reforma, gostem ou não. A reforma, o país é testemunha, só começou a ganhar forma e a andar depois que o deputado Rodrigo Maia a assumiu, deixando na poeira o presidente da República e até o seu formulador, o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Aliás, não foi por acaso que o deputado Rodrigo Maia foi à tribuna antes de anunciar o resultado da votação do chamado texto-base, aquele que foi aprovado na Comissão Especial, restando ainda 15 emendas chamadas aglutinativas para serem discutidas ao longo da noite. Sem ser um tribuno, mas ostentando a auréola dos vitoriosos, Rodrigo Maia explicou algumas razões porque apostava na vitória da reforma – “pelo bem do Brasil”, repetiu – e atribuiu ao Centrão – um conjunto de partidos que tem quase a metade dos deputados da Câmara – com quem se articulou para fazer passar a tão aclamada reforma, com erros e acertos que só o tempo poderá exibir.

A oposição bem que tentou barrar a passagem da reforma ontem e nos dias que antecederam a votação desta quarta-feira. Mas, minoritária, não conseguiu fazer mais do que barulho. Como sempre acontece com as minorias. E nem seria diferente diante do rolo compressor do governo que liberou nessa semana R$2,5 bilhões como emendas impositivas além de prometer mais R$ 20 milhões para cada deputado que votasse a favor da reforma, o que pode explicar a elasticidade do placar, reforçada pela promessa reafirmada ainda ontem pelo presidente Bolsonaro de fazer a escolha, que lhe caberá, de um novo ministro do STF “terrivelmente evangélico”, numa comemoração da Igreja Universal e por lamentável coincidência no dia da morte do jornalista Paulo Henrique Amorim, afastado de um dos programas da
Record TV sem uma explicação plausível.

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