A aventura que é caminhar nas calçadas brasileiras

Por Pro Coletivo

Buracos, obstáculos, afunilamentos-surpresa, texturas pouco gentis para carrinhos de bebê e cadeiras de rodas, além de um tamanho inadequado para a segurança das pessoas. Caminhar nas calçadas de São Paulo e de outras metrópoles do país é praticamente uma aventura: há calçadas tão estreitas – em geral, porque os empreendimentos imobiliários usurparam o espaço que era destinado à passagem pública – que as pessoas precisam passar em fila, uma a uma, sob o risco de serem atropeladas. Em algumas é necessário ir à rua para se locomover.

Assegurar o direito das pessoas de caminhar com liberdade e segurança é um valor importante de cidadania. Em vários países, esta é uma preocupação constante, pois envolve a saúde (quem caminha evita doenças), a sustentabilidade (o transporte a pé não polui), a economia financeira e o bem-estar mental e emocional (estudos mostram que a ansiedade e o estresse diminuem com caminhadas constantes). Caminhar é realmente a forma mais democrática, saudável, econômica e sustentável de se deslocar pelas cidades.

No Brasil, de acordo com estudo da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), publicado em 2016, andar a pé é o meio de deslocamento mais usado. Segundo o documento, 36,5% das viagens diárias no país são feitas exclusivamente dessa forma e 28,3% por transporte coletivo.

Mesmo assim, não há incentivo, investimento e políticas públicas de mobilidade dos pedestres nas cidades. Quem mais se mexe são as ONGs e os grupos de mobilidade a pé, que têm se unido para focar nessa questão tão importante. Um deles, o SampaPé, responsável pela abertura da Avenida Paulista aos domingos, costuma promover passeios e caminhadas para despertar a curiosidade dos cidadãos pelo hábito de andar a pé, e realiza ações para colocar em pauta o tema, garantindo a prioridade de caminhar nas cidades.

Há ainda muito o que fazer, mas é importante que a sociedade se una para exigir a implantação de calçadas corretas, travessias sinalizadas e tempo suficiente e razoável nos semáforos. Eles são fundamentais para a segurança, a liberdade de ir e vir, o bem-estar e a saúde da população. São símbolo de cidadania e respeito. Afinal, em algum momento do dia todos somos pedestres.

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