Viva Melhor: Por quê vale a pena ler os rótulos dos cremes e xampus

Por Angélica Banhara

Você já parou para pensar que a pele é o maior órgão do nosso corpo? Ao mesmo tempo em que ela é o nosso escudo de proteção contra o mundo exterior, essa barreira é permeável: através dos poros, a pele absorve vários tipos de substâncias. E, se a bola da vez é olharmos com a lupa para os alimentos que colocamos no prato, vale a pena ficarmos atentos também às substâncias presentes nos cosméticos que usamos no dia a dia.

"Tudo o que a gente passa na pele (creme, sabonete, maquiagem, xampu) acaba interferindo na sua estrutura, principalmente na camada externa onde se encontra a microbiota da pele — o conjunto de microorganismos que mantém a estabilidade e a integridade dela”, afirma a nutricionista Natalia Marques, mestre em Ciências da Saúde, doutora em Cosmiatria pela Unifesp e coordenadora de pós-graduação do VP Centro de Nutrição Funcional.

Ela explica que, quando a microbiota entra em desequilíbrio — por conta de ingredientes contidos nos produtos que usamos ou por deficiência nutricional, de dentro para fora —, a capacidade de defesa da pele diminui e o resultado pode ser uma pele mais frágil, mais sensível à luz solar, com dermatite, inflamações, alergia e má-cicatrização. "Em última instância, esse desequilíbrio pode evoluir para uma doença auto-imune, como a psoríase, ou câncer de pele”, afirma.

“Na hora de escolher os cosméticos, é importante ficar atento à presença de parabenos, sulfitos e metais pesados."O parabeno é um conservante presente nos cosméticos (xampu, desodorante, creme e maquiagem) para para impedir a ação de microorganismos e aumentar a data de validade. Também ajuda o xampu a fazer espuma. O sulfato, ou lauril sulfato de sódio, é um tipo de detergente adicionado a xampus e sabonetes para uma limpeza profunda, mas que acaba removendo a oleosidade natural da pele, do couro cabeludo e do cabelo. No caso das maquiagens, o risco está nos metais pesados, como chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico e níquel, normalmente usados para fixar a cor.

“A pele percebe essas substâncias como agressoras e o resultado é o aumento do estresse oxidativo (envelhecimento precoce) e a diminuição ou bloqueio da capacidade de defesa da pele. Essas substâncias se acumulam na epiderme (camada superficial) e ainda podem cair na corrente sanguínea e atingir outros tecidos.”

"Ler a composição dos produtos nos rótulos (várias marcas de xampus sinalizam a ausência de sulfitos e parabenos), procurar conhecer melhor os fabricantes e optar por cosméticos clean label (rótulo limpo, em tradução livre), livres de substâncias tóxicas”, sugere a especialista. E conclui: "A pele é o nosso maior orgão metabolizador, não o fígado. Cuide bem dela."

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