Boa ideia

Por Carlos Lindenberg

Finalmente o governador Romeu Zema entendeu que, sem a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ele não governa. Nem ele nem ninguém. Foi isso o que Zema disse segunda-feira, ao entregar carros novos aos bombeiros e à polícia. Já é um avanço. Até aqui, o governador preferia manter distância dos deputados, como se fossem réprobos, mal sabendo que, sem eles, ninguém governa – a não ser nas ditaduras, o que não é o caso. Segundo Zema, era preciso botar ordem na casa, primeiro, para depois, cumprida essa etapa, ele possa se dedicar agora aos parlamentares.

A propósito, a declaração do governador mineiro ocorreu praticamente no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro, também às voltas com o Congresso Nacional, deu um passo adiante e, mesmo sem a Coaf de Moro, se juntou aos  presidentes dos outros dois  poderes para o que seria uma espécie de “pacto” para tirar o país do atoleiro. Nada mal que haja um “pacto” ou um acordo, que o nome não importa. O estranho nesse, digamos, “pacto”, foi a presença do ministro Dias Toffoli no café da manhã oferecido pelo presidente. Ora, o problema entre o Executivo e o Legislativo, em Brasília, é político e não é da competência do Supremo imiscuir-se em assuntos do varejo da política. O Supremo, é, todos sabem, o guardião da Constituição e não tem por que se envolver no desentendimento politico dos outros poderes. Mas o ministro Toffoli estava lá discutindo política com os presidentes dos outros poderes. Vejam só, discutindo política!

Mas o problema de Zema aqui é outro, ainda que parecido. Se Bolsonaro precisa da boa vontade do Congresso para aprovar a reforma da Previdência e outros projetos de seu interesse, Zema agora vai precisar mais do que nunca, também, da boa vontade dos deputados para aprovar a sua anunciada adesão ao Plano de Ajuste Fiscal do governo federal. Com os rigores do plano, que impõe a venda de estatais e o arrocho salarial no funcionalismo, Zema dificilmente conseguirá aprovar o que pretende, mesmo que confesse agora estar arrependido de ter ficado longe dos deputados nesses cinco meses e que doravante vão estar juntos. Não é uma má ideia.

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