Kalil Surpreende

Por Carlos Lindenberg

A pretexto de explicar como será o Plano Diretor de Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) fez graves acusações a possíveis incorporadores que se sentem tolhidos em investir na construção de edifícios na capital. O plano está em discussão na Câmara Municipal e foi por aí que Kalil começou o seu ataque ao que ele chama “de sindicatos dos poderosos, dos grandes empresários”, que, segundo ele, querem minar, ou seja, corromper, os vereadores. Aliás, foi chutando da medalha para cima que Kalil abriu a sua fala ao dizer: “A prefeitura de Belo Horizonte não está à venda; nem a Câmara Municipal de Belo Horizonte também está à venda”.

E durante todo o tempo de sua entrevista o prefeito não poupou criticas aos que ele chama de poderosos, citando inclusive a Federação das Indústrias de Minas Gerais, a emblemática Fiemg, como parte dos que fazem lobby. O Plano, de fato, é polêmico pelas suas próprias características, pelas restrições que impõe aos grandes incorporadores e pelo seu detalhismo, feito, ao que parece, para reduzir o espaçamento urbano da capital, de fato intransitável em algumas horas do dia.

Mas o trânsito não é assunto para Kalil. Durante toda a sua fala, o prefeito bateu forte nos que fazem oposição à aprovação do Plano Diretor. E garantiu que vai aprovar o Plano com 31 ou 35 votos de sua base aliada, com a compreensão dos partidos da esquerda, enfatizando que a Câmara Municipal ou pelo menos os que vão votar a favor do plano “não se venderam” , numa clara evidência de que o prefeito está denunciando tentativa de corrupção ou pagamento de propina durante as negociações para discussão e votação do Plano.

Kalil, todos sabem, tem o seu estilo, digamos, rasgado de falar as coisas, mas ao que parece ele foi mais contundente do que em outras ocasiões. Chegou até a dizer que quer morrer sem ter o que contar o que rolou na Câmara nesses dias, para em tom, até ameaçador, lançar o repto, vejam só: “Não me provoquem porque eu tenho nome e sobrenomes. Com o plano, vão ter que ganhar menos, por que estão acostumados a comprar, mas agora aqui na Prefeitura e na Câmara, dinheiro não compra mais”.

E logo depois, deixou para a secretária Maria Caldas explicar detalhes técnicos do novo Plano Diretor. Kalil é candidato à reeleição e pelo visto vai sair para a briga, bem ao seu estilo: bateu-levou.

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