A primeira onda

Por Carlos Lindenberg

O presidente Jair Bolsonaro reagiu ontem da pior maneira possível, no seu estilo direto e às vezes grosseiro, à primeira onda de manifestações contra seu governo. De Dallas, onde estava, já que não pode ir a Nova Iorque receber a premiação da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Bolsonaro chamou os manifestantes de “imbecis” e “idiotas”, ignorando que saíram às ruas nesta quarta-feira, em mais de 200 cidades de todos os Eestados, milhares de estudantes, professores e pesquisadores – todos vítimas do falado “contingenciamento” de 30% dos gastos não obrigatórios das universidades federais do país.

Na verdade, quem mexeu nesse vespeiro foi o desastrado ministro Abraham Weintraub que no dia 30 de abril declarou ao jornal Estado de São Paulo que “bloquearia” recursos nas universidades de Brasília, Federal Fluminense e na da Bahia, alegando que lá, sem nenhuma comprovação, havia muita “balbúrdia”. Aí se acendeu a centelha que levou ontem as pessoas às ruas, num protesto que se confundiu também contra a reforma da Previdência em muitos lugares e impôs ao governo uma derrota fragorosa no dia anterior, obrigando o próprio ministro a comparecer, sob pena de crime de responsabilidade, à Câmara dos Deputados. E foi um vexame. O ministro, sem nenhum tato para lidar com o meio parlamentar, tentou enfrentar a oposição, num ambiente em que ele fora derrotado um dia antes, partiu para o enfrentamento para depois entender que aquele não era seu ambiente e chegou a pedir desculpas.

O problema do ministro é o mesmo do seu presidente. E ontem se viu mais uma vez que ambos, para não dizer todo o governo, prefere usar a estratégia do confronto ao invés de buscar a via do entendimento, que não significa capitulação nem reconhecimento de derrota. Enquanto na Câmara o ministro tentava peitar a oposição, sem nenhum sucesso, em Dallas o presidente Bolsonaro atacava os manifestantes chamando-os de “massa de manobra” e culpando o PT pelos  problemas orçamentários do Ministério, escondendo que o orçamento deste ano não foi feito pelo Partido dos Trabalhadores, mas pelo então presidente Michel Temer – que por sinal ontem deixou o presídio numa decisão correta do Superior Tribunal de Justiça na análise de uma liminar em favor do ex-presidente e do seu fiel escudeiro, o coronel Lima.

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