Bolsonaro vacila

Por Carlos Lindenberg

Quem cria mais problemas para o governo Bolsonaro? Por incrível que pareça, não é nenhum partido de oposição. Quem cria problemas para o governo é o ideólogo, ou que nome tenha, Olavo de Carvalho, o escritor que faz a cabeça do presidente Bolsonaro e a dos seus filhos, o deputado federal Eduardo, o senador Flávio e o vereador fluminense Carlos Bolsonaro. E é exatamente por mexer no núcleo mais ideológico do poder – o presidente e seus filhos – que Olavo de Carvalho é hoje o maior problema do governo – e olha que ele nem é do governo e nem mora no Brasil.

Mas é que Olavo resolveu escolher como alvo de seus ataques, e, portanto, causa número um dos problemas do governo, os militares que, se não fazem a cabeça do presidente são, na verdade, quem o ajudam a governar. São centenas deles, nos mais diversos postos do governo, desde o vice-presidente, general Hamilton Mourão, ao recém nomeado presidente da Apex, almirante Sérgio Segóvia. O problema é que Olavo de Carvalho faz mais estragos no governo do que toda a oposição junta. Por que? Por que a briga é interna e visa o controle das verbas de publicidade.

O que existe, na verdade, é uma disputa entre os seguidores de Olavo de Carvalho, e os militares. De um lado a força das armas. De outro a família e seus seguidores nas redes sociais. Bolsonaro voltou a pedir paciência aos seus pares, sem, contudo, botar o pé no barranco. Pelo contrário, ele parece querer agradar as duas alas, emitindo sinais ambíguos a uns e a outros, enquanto se mantém refém, por exemplo, de deputados e senadores numa hora em que tanto se fala na reforma da Previdência, e de cujos votos o governo depende.

Neste fim de semana, depois de mais uma troca de tuites entre Olavo de Carvalho e o general Eduardo Villas-Boas, o influente ex-comandante do Exército, o presidente Bolsonaro voltou a emitir sinais de que não tem como silenciar os dois lados: simplesmente pediu que essa página fosse virada. Ora, não é assim que o presidente deve se impor. Gostem ou não, Bolsonaro foi eleito, tomou posse, nomeou seus ministros e, bem ou mal, governa. E é nesta condição que ele precisa tomar atitudes firmes, se impondo aos que ele nomeou e sobre aquele que lhe cria os maiores problemas: Olavo de Carvalho. Essa disputa entre os dois lados pode corroer a autoridade do presidente da República e leva-lo ao fim antes da hora.

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