Novo Vingadores celebra a década da Marvel no cinema

Por Omelete

“Vingadores: Ultimato” é um filme que funciona de imediato.
O nível mais evidente, culminação de 11 anos de um Universo Marvel cimentado no serviço ao fã, é o da autocelebração. São três horas de uma variedade ininterrupta de reminiscências de filmes antigos, participações especiais, easter eggs, fan services e resoluções de arco pensados para recompensar o investimento emocional de um público cativo que ao longo dos anos deparou com filmes de qualidades díspares, dos perenes aos mais episódicos. Nesse sentido, Ultimato funciona acima de qualquer expectativa: não só entrega uma experiência catártica maior que Guerra Infinita como ainda firma posições definitivas em relação aos destinos do MCU.

Joe e Anthony Russo fazem um filme que tinha tudo para parecer mais um capítulo final de novela, mas os realizadores se blindam dessa armadilha, primeiro, ao montar um roteiro de ação sem respiros, enxutíssimo apesar da metragem, e segundo, ao DOBRAR a aposta que a Marvel já faz sobre o caráter autoconsciente de seus filmes e personagens.

Discute-se muito nesta era de incertezas se o papel dos vigilantes na cultura pop, por natureza um papel conservador, se prestaria politicamente a reafirmar esse conservadorismo hoje em dia. A Marvel inclusive sabe trabalhar essa questão em filmes que estão oxigenando o gênero, como Pantera Negra. É possível que muito se discuta ainda sobre Ultimato nesse sentido, mas à primeira vista temos aqui, principalmente, uma pregação para convertidos. Um filme de serviço. Os leitores mais velhos são atendidos, e os mais novos também. Até os fãs da Marvel na TV são contemplados. E nenhum momento deixa tão claro isso quanto o instante em que o Capitão América sussurra uma palavra no clímax. Ele sussurra, ao invés de gritar, porque autoconscientemente não está falando para outros personagens em batalha, e sim para cada um de nós aqui do lado de fora.

omelete Reprodução

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