Posição de sentido

Por Carlos Lindenberg

Ao contrário do que se poderia imaginar, a gestão do presidente Bolsonaro à frente do governo até que não está sendo das piores no que diz respeito às promessas feitas na campanha – e não necessariamente em relação ao dia a dia do seu desempenho como chefe do governo. Bolsonaro cumpriu mais promessas do que Dilma Rousseff e Michel Temer nesses primeiros cem dias de governo – foram 15 dos 58 compromissos já realizados. Dilma cumpriu cinco dos 55 e Temer apenas três dos 20. A maior parte das promessas cumpridas está na economia e as maiores gafes ou fracassos na área dos costumes. Nesse período de apenas cem dias – na verdade uma marca simbólica que remonta à volta de Napoleão Bonaparte ao poder, em França –, dois ministros caíram e as viagens foram o maior fracasso de Bolsonaro. O primeiro foi o secretário geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno. Depois, nesta segunda-feira, foi a vez do ministro da Educação, Ricardo Vélez.

Se foi razoavelmente bem na área econômica, a despeito do número de desempregados ter crescido, Bolsonaro foi mal quando se fala em costumes – uma de suas metas favoritas. Não bastasse a briga que comprou com o mundo árabe, ao resolver visitar Israel, quebrando a neutralidade geopolítica do Brasil naquela região, Bolsonaro bateu o recorde com o Twitter em que exibiu imagens do chamado “golden Shower” para tentar mostrar a degradação moral do país no carnaval, desgastando a imagem do país no exterior, onde a festa é consumida como produto turístico de primeira grandeza.

Contudo, mais emblemático ainda foi a troca de farpas entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tudo porque o vereador Carlos Bolsonaro disparou um tuíte criticando Maia por não fazer a articulação política do governo. Quem recebeu o troco foi o presidente que teve que se reconciliar com o político que é peça fundamental para a reforma da Previdência. E aí estão dois pólos que contribuem positiva ou negativamente para o governo: os militares de um lado e a família Bolsonaro do outro. Sempre usando as redes sociais, os filhos mais atrapalham do que ajudam. E os militares, todos de coronel para cima,  ficam em posição de sentido como a observar o que faz o capitão Bolsonaro, a quem o general presidente Ernesto Geisel um dia chamou de “mau militar”, o que não impediu o presidente a dizer nessa semana que não nasceu para ser  presidente da República mas um simples soldado.

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