A reza de Zema

Por Carlos Lindenberg

O governador Romeu Zema vai ter que esperar um pouco mais para tentar resolver os problemas financeiros do estado. Na terça-feira, durante reunião com o ministro Paulo Guedes, da Economia, Zema e os demais governadores que enfrentam problemas iguais em seus estados souberam que só daqui a 30 dias o titular da equipe econômica vai ter condição de apresentar aos governadores o plano que o presidente Bolsonaro tem para ajudá-los. O que não deixa de ser uma novidade, até mesmo para o próprio Zema, que já havia anunciado a intenção de aderir ao programa de ajuste fiscal feito pelo então presidente Michel Temer – e que fora recusado em Minas pelo ex-governador Fernando Pimentel.

Ora, se Paulo Guedes está propondo um novo plano é porque, provavelmente, o plano de Temer não era realmente grandes coisas. De fato, ele empobrecia os estados e punia os servidores, ainda que oferecesse alguns atrativos aos governadores, embora mais tomasse do que de fato pudesse dar algo mais atraente. Tomava por exemplo na obrigação vender as suas empresas públicas; impedia a realização de novos concursos por três anos; aumentava para até 12% a contribuição previdenciária do funcionalismo e impunha dispensa de servidores, de tal forma que os estados ficavam praticamente sob intervenção federal nas finanças públicas.

Ao assumir o governo com um déficit orçamentário de R$ 13 bi – Pimentel assumiu com R$ 8 bi – Zema logo se viu encantado com a possibilidade de deixar de pagar parte da dívida de Minas com a União por três anos. Ontem, contudo,  ele viu que as coisas não seriam tão boas assim. Pelo menos é o que se deduz da reunião, até porque se o plano de Temer fosse tão generoso, como se imaginava de início, não havia razão para que o novo governo se propusesse a fazer novos estudos. Mas o governador sabe que o plano de Guedes pode até ser bom, desde que não mexa com o funcionalismo, por que é aí que o sapato aperta. Os deputados estaduais, que terão de aprovar o plano, não estão dispostos a irem para o sacrifício aprovando um plano agora para depois não conseguirem a reeleição. Minas tem mais de 600 mil funcionários públicos e é rara a família que não tem parentes entre eles. Quem arriscaria votar contra o funcionalismo? Ou seja, Zema tem de rezar para que o plano de Paulo Guedes seja menos azedo do que o proposto por Michel Temer.

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