TN10 e Rodriguinho

Por Cadu Doné

Já escrevi algumas vezes esse ano sobre as possibilidades que Mano carrega para escalar Rodriguinho e Thiago Neves simultaneamente. Como o último começou a temporada com problemas físicos, as soluções escolhidas pelo treinador celeste para o alardeado dilema ainda não apareceram. O futebol é extremamente dinâmico. Circunstâncias vão mudando, o clima na área se prova insistentemente bastante suscetível a oscilações. Dentro disso, ainda que TN10 basicamente não tenha atuado na temporada, podemos adicionar, digamos, uma espécie de atualização nas numerosas reflexões acerca das dúvidas que o técnico cinco estrelas há de sanar para eleger o time ideal quando todos estiverem disponíveis.

Rodriguinho está voando como uma mistura de armador e segundo atacante. Por trás de Fred, entrando na área, flutuando entre os volantes e a zaga adversária, sem obrigação de fechar o corredor no momento defensivo. Nenhuma novidade. Era previsto que, sem Thiago, ele jogaria por ali. Nos moldes ventilados, entretanto, no esporte bretão, a linha corriqueiramente é tênue. Já se esperava Rodriguinho bem no mencionado trabalho. Mas ele está tão encaixado, tão confortável no descrito cenário que um dos elementos a serem examinados por Mano para vislumbrar o possível encaixe concomitante dos seus dois craques aqui avaliados passará por um tipo de receio de perder algo que vem dando tão certo. E, nesse caso, realmente ficaria complicado de acomodar Thiago na engrenagem. Afinal, nas combinações mais plausíveis que acolheriam essa dupla, quem “se sacrificaria” – por se mostrar mais físico, completo, consistente – seria Rodriguinho. Ou seja: ele que teria de se deslocar, se desdobrar, marcar mais… Seja como um segundo volante num 4-1-4-1, pelo lado – não é exatamente a preferência dele, porém TN10 me parece ainda mais distante de contemplar as incumbências necessárias para um cara de beirada –, ou até como um “enganche” num 4-3-1-2. Com todas estas ponderações não quero dizer que não tentaria colocar Thiago e Rodriguinho juntos. Cabe o teste, claro. Mas que a boa fase, toda a fluência do ex-corintiano atuando com o apoio de dois companheiros pelos flancos que fazem o “trabalho sujo” nos concede um fator a mais para apreciar…

Boa parte da mídia esportiva, normalmente apressada e em busca de proposições que soam mais assertivas, determinadas, concretas, criou a muleta, o lugar-comum, recentemente, de que o Cruzeiro padece pela carência de um homem de velocidade para ocupar o lado esquerdo da linha de meias. Hoje a Raposa tem David, Marquinhos Gabriel e Rafinha exaltados, “se revezando” por ali, vivendo período favorável. Perduravam incertezas, por motivos diversos, com relação a estes nomes; em alguma medida, portanto, a destacada fala possuía sentido. A forma com que ela costumava se materializar, todavia, exalava precipitação e certo desprezo a estes atletas que já deveriam, sim, num considerável grau, ser lembrados como prováveis boas saídas.

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